InícioSociedade“O Tejo está moribundo mas não é de agora”

“O Tejo está moribundo mas não é de agora”

A mancha de espuma avistada sobre o Rio Tejo no açude de Abrantes atirou para a primeira linha dos média a poluição neste que é um dos maiores rios portugueses. Enquanto o país aguarda que se apurem as responsabilidades da poluição no Tejo, as gentes de Vila Velha de Ródão, onde se localizam as empresas de celulose apontadas como causadoras da poluição, são as menos surpreendidas com os acontecimentos.

Há muito que sabem que o Tejo está doente, o rio que chegou a matar a fome a muita gente. “Cheguei a beber água diretamente do rio”, conta-nos Bento Valente, o mais novo dos três ocupantes de um banco em madeira com vista para a Celtejo, a unidade fabril implantada na vila na década de 70. A partir de 2014, esta unidade que é uma das maiores empregadora da região, duplicou a produção da pasta de papel de eucalipto, mantendo os quase 200 postos de trabalho ali criados.

A par disto, a Celtejo fornece pasta de papel por pipeline para as mais recentes empresas The Navigator e Pape Prime, que produzem papel “tissue”. Numa dessas empresas trabalha Juliana Matos, natural e residente há oito anos na vila. “Só se deram conta da poluição agora, mas para mim não é nada de novo. Estão a dar muito enfoque a Vila Velha de Ródão, mas o rio não atravessa só uma população. Se calhar, à medida que o rio corre até à foz, os problemas acumulam-se”.

Toda a reportagem na edição impressa do JF.

Célia Domingues