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O primeiro dia do julgamento de Pedro Dias

Pedro Dias, o suspeito de ter cometido três homicídios em Aguiar da Beira, em outubro de 2016, começou a ser julgado esta sexta-feira no Tribunal da Guarda.

À entrada para o Tribunal, a advogada de defesa, Mónica Quintela, disse que Pedro Dias “irá falar durante o julgamento”, mas neste primeiro dia isso não aconteceu.

Pedro Dias chegou ao Tribunal da Guarda por volta das 09:30.

Junto à porta de entrada principal encontravam-se mais de 30 pessoas, dezenas de jornalistas e algum aparato policial.

“O que se pretende com este julgamento é que se esclareça o que se passou naquela noite. Que seja feito um julgamento dentro de um Estado de Direito, de um arguido que vai ser submetido ao julgamento com todas as regras”, disse ainda a advogada Mónica Quintela.

Testemunha crucial foi ouvida

Este primeiro dia serviu para ouvir uma das principais testemunhas, António Ferreira, militar da GNR alegadamente baleado por Pedro Dias e que sobreviveu. Contou que recorda diariamente os momentos em que sentiu “a vida em perigo” e admitiu que tem acompanhamento psiquiátrico e psicológico.

Contou que naquela noite de outubro de 2016 saiu com o seu colega Carlos Caetano para uma ronda e encontraram junto ao Hotel das Termas da Cavaca uma carrinha Toyota parada, com um homem lá dentro aparentemente a dormir. Enquanto pediam a documentação a Pedro Dias, fizeram comunicações solicitando informação sobre o registo de propriedade do veículo e do titular da carta de condução. Do posto de Fornos de Algodres ter-lhes-ão alertado que se tratava de “uma pessoa perigosa” e que “devia ter uma arma”. António Ferreira acredita que Pedro Dias terá ouvido essa comunicação e a seguir disparou sobre Caetano. Depois, António Ferreira foi também ameaçado e obrigado a colocar o colega na bagageira do carro da GNR.

O militar da GNR explicou que foi algemado dentro do veículo até um pinhal, onde Pedro Dias parou novamente, ordenando-lhe que se algemasse a um pinheiro. Aí, Pedro Dias terá disparado António Ferreira pelas costas, antes de abandonar o local.

António Ferreira tomou, perdeu os sentidos, mas acordou posteriormente e conseguiu deslocar-se até à habitação de um outro colgea militar da GNR, onde deu o alerta.

Neste depoimento, o GNR sobrevivente sublinhou que nem ele, nem o colega Carlos Caetano conheciam Pedro Dias.

Durante a tarde, António Ferreira explicou que depois de sair do hospital ficou dois meses e meio acamado em casa.

Revelou que tem ainda alojada a bala na cervical, entre a C1 e a C2, e que “os médicos têm medo de mexer”, pois está a “um milímetro de provocar lesões permanentes”.

A par do acompanhamento às lesões físicas, que lhe provocam dores, especialmente na face, o militar da GNR está também a ser acompanhado mensalmente na Psiquiatria da Casa de Saúde de Viseu e de 15 em 15 dias por uma psicóloga da Câmara de Aguiar da Beira.

Pedro Dias está acusado da prática de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada, três crimes de sequestro, crimes de roubo de automóveis, de armas da GNR e de quantias em dinheiro, bem como de detenção, uso e porte de armas proibidas.

Pedro Dias, de 44 anos, esteve fugido um mês após os crimes de Aguiar da Beira, até se ter entregado às autoridades. Tem aguardado o julgamento em prisão preventiva.