InícioSociedade“País perdeu por não termos feito regionalização”

“País perdeu por não termos feito regionalização”

(c) Filipe Pinto/JF

João Paulo Catarino completa este mês um ano à frente dos destinos da Unidade de Missão para a Valorização do Interior. Licenciado em Engenharia Agronómica,  destacado quadro do PS, o ex-presidente da Câmara de Proença-a-Nova diz que não voltará a candidatar-se a uma autarquia

JORNAL DO FUNDÃO – O Ministro-Adjunto, Pedro Siza Vieira, anunciou recentemente que 73 por cento das medidas do Plano Nacional para a Coesão Territorial  estão implementadas. Qual o balanço que faz quanto à sua eficácia?

JOÃO PAULO CATARINO – Em termos de execução, julgo que os resultados são óptimos. O Governo preocupou-se em colocar no Programa Nacional para a  Coesão Territorial medidas que fossem exequíveis. Também é sinal que os ministérios estiveram fortemente empenhados em cumprir aquela resolução que deu origem ao Plano.

Quais as medidas que estão já a ter resultados?

Os 150 médicos colocados no Interior, por exemplo. Toda a verba disponível desse programa foi preenchida. As 400 turmas de alunos que existem excecionalmente no interior com menos alunos do que aquela que a lei permite; o programa “Valorizar” que tem 50 milhões de euros em execução exclusivamente em territórios do Interior; o programa de incentivos para a modernização das empresas e criação de emprego  com uma majoração significativa para estes territórios que ficou esgotada. Dada a grande procura está a ser criada uma nova versão.

Estas medidas são suficientes para resolver as assimetrias regionais?

É claro que não. Iniciou-se um caminho. Temos o Plano para a Coesão Territorial com medidas muito pertinentes. Devo dizer, aliás, que grande parte das medidas propostas por parte do Movimento Pelo Interior constavam já deste plano, contextualizadas por eixos. Depois deste documento e da constituição desta Unidade de Missão para a Valorização do Interior, uma coisa é certa: iniciámos um caminho e provavelmente num futuro próximo nenhum Governo terá coragem de excluir alguém dentro da sua própria orgânica, que acompanhe diariamente as medidas de política pública com o objetivo de as diferenciar positivamente para corrigir as assimetrias regionais.

Nuno Francisco e Célia Domingues