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Os rostos por detrás da medalha de ouro

(c) Pedro Martins/Global Imagens

A medalha é de todos os fundanenses, mas caberá a Luís Miguel Pereira da Silva, 46 anos, natural de Alpedrinha, recebê-la. Fá-lo-á em representação de um povo que não cruzou os braços perante a tragédia e que se mobilizou para ajudar. Uns combateram as chamas, outros ajudaram o vizinho, o amigo, o conhecido.

Alguns (muitos) recolheram de alimentos e outros distribuíram-nos. Houve quem tenha estado no Seminário a fazer sandes e quem tenha servido refeições. Cada um fez o que pôde e o que estava ao seu alcance, numa onda de solidariedade e generosidade absolutamente marcante e que a Câmara do Fundão vai reconhecer, no Dia do Concelho, com a atribuição da Medalha de Ouro ao “Povo do Fundão”.

Luís Miguel Silva representa bem esse “povo heroico”. Ficou gravemente ferido na sequência do grande incêndio da Gardunha, aquele que mais marcou o concelho e que poucos esquecerão. Luís Miguel Silva não o esquecerá com certeza. A data ficou-lhe gravada de forma indelével.

“São cicatrizes que não se apagam, quer as externas quer as internas”, refere ao recuar a 14 de agosto do ano passado, que deveria ter sido apenas mais um tranquilo dia de férias. Todavia, pouco depois do almoço, as chamas “entraram” no concelho. A irmã ligou-lhe preocupada que o fogo chegasse a Alpedrinha. Luís Silva foi até lá. À chegada disponibilizou-se para ajudar no que fosse preciso. Ainda foi a Castelo Novo e regressou. Foi por essa altura que lhe telefonaram. A tal ajuda era precisa…

Esta e outras histórias na edição impressa do JF.

Catarina Canotilho