InícioSociedadeIncêndios: viver o insustentável “dia seguinte”

Incêndios: viver o insustentável “dia seguinte”

(c) Fernando Fontes/Global Imagens

Uma semana depois da tragédia dos incêndios os cidadãos tentam reerguer a cabeça, sem saberem muito bem como vão suportar o inverno. As hortas estão queimadas, os animais que se salvaram não têm alimento nos campos, não há lenha ou sequer uma pinha para acender a lareira nos dias frios.

O trajeto em curvas do Rio Zêzere é a única beleza natural que o incêndio de 15 de outubro não conseguiu levar. Percorrer agora os concelhos de Oleiros, Sertã e Pampilhosa da Serra é como ir à lua, de tão despidas estão aquelas encostas.

Não foi a primeira vez que as gentes do Pinhal enfrentaram o fogo (2003 e 2005), mas nenhum deles foi tão voraz como o deste outono. O fogo, a grande velocidade, desceu e subiu serras, entrou nas aldeias e nas vilas, atirou-se aos quintais e casas abandonadas. Os idosos mais capazes levantaram baldes, seguraram mangueiras. Foi um salve-se quem puder. “Temos 500 casas atingidas, 262 são perda total. Destas ainda não tenho a certeza de quantas são de primeira habitação. Há muitas pessoas que se reformam e que vêm viver para a Pampilhosa. Temos cerca de 30 mil pessoas em Lisboa. Essas não mudam a residência para cá, para não perderem o seu médico, o estacionamento ao pé da porta, mas vivem nestas aldeias a maior parte do tempo. Tenho perguntado: essa não é a primeira residência deles, apesar de não estarem cá a morar oficialmente? Estas situações são perto de 200”, diz o presidente do município, José Brito.

Destruição

Pampilhosa da Serra – 262 casas destruídas de primeira e segunda habitação,de um total de 500 atingidas. 20 pessoas ficado desalojadas.

Sertã – Desapareceram sete mil hectares de floresta, num concelho que tem no setor madeireiro o seu motor económico. Oito casas de primeira habitação arderam total ou parcialmente, sete pessoas ficaram desalojadas e três viaturas dos bombeiros, arrecadações e palheiros foram destruídos.

Oleiros – Os incêndios queimaram 15 mil hectares de floresta e destruíram 70 casas, 20 delas de primeira habitação, e um lagar de azeite.

Toda a reportagem edição impressa do JF.

Célia Domingues