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Quando a Covilhã esteve quase a ser tomada de assalto

Não fosse um conjunto de acidentes e acasos inesperados e a Covilhã teria sido tomada de assalto em agosto de 1968. O plano foi traçado pela LUAR – Liga de Unidade e Acção Revolucionária, um movimento de oposição ao Estado Novo que previa ações armadas que e teve a Covilhã assinalada no mapa das intervenções, conforme é relatado no livro “Uma Nova Concepção de LUTA”, de Fernando Pereira Marques, obra publicada pela Tinta da China e que engloba a coleção Ephemera – Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira.

O livro foi apresentado sábado na Câmara da Covilhã e tem a particularidade de ter ser escrito por alguém que integrou a LUAR.

Aliás, se em agosto de 1968 tudo tivesse corrido como planeado, Fernando Pereira Marques teria integrado a brigada de assalto: “Os mais novos e menos responsáveis, como era o meu caso, distribuiríamos um panfleto e colaríamos um cartaz nas paredes”, disse o autor do livro, onde está reproduzido o panfleto em que a LUAR declarava apoio às greves operárias. Para que tal distribuição pudesse ocorrer sem percalços, os ativistas tinham previsto neutralizar a GNR e a PSP, sendo que entre os objetivos da operação estava ainda passar uma mensagem gravada no posto da Emissora Nacional e “recuperar fundos” nas agências bancárias.

Uma operação que devia decorrer num espaço de tempo circunscrito, após o qual os ativistas retiravam. De resto, a par com o facto de ser uma cidade operária, a questão da retirada em segurança e sem risco de perseguições foi um dos motivos pelos quais a LUAR escolheu a Covilhã para esta operação: “Quem esteve na fase de preparação, percebeu que dinamitando umas quantas pontes e acessos seria fácil isolar a cidade quando nos retirássemos”, apontou Fernando Pereira Marques, lembrando que os líderes da organização saíriam através de transporte aéreo, via aeródromo da Covilhã. Dos restantes, uns regressavam aos pontos onde mantinham atividade clandestina e os outros seguiam para a fronteira com ajuda de passadores.

Todavia, um acidente de viação que surpreendeu Palma Inácio, líder da organização, antes mesmo da sua chegada e uma série de outros acasos levaram a que a ação nunca viesse a realizar-se. O fracasso foi assumido num comunicado que está reproduzido neste livro, o qual se constitui como uma oportunidade para ficar a saber mais sobre a LUAR e sobre este episódio da história recente da Covilhã, conforme frisou o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira.

Catarina Canotilho