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Astronauta deu-lhes uma história para contar

O que é que comem os astronautas quando estão em órbita, quais são as suas rotinas, o que fazem nos tempos livres e do que é que sentem mais falta? Estas foram algumas das questões que quinze alunos do Agrupamento de Escolas do Fundão tiveram oportunidade de colocar a um astronauta da Estação Espacial Internacional, numa iniciativa inédita que decorreu na quarta-feira, dia 21, e que transformou dez minutos da vida destes jovens num momento único e “único e irrepetível”.

“Foi uma experiência excelente, de verdade. Nunca pensei que ia ter oportunidade de falar com um astronauta e sei que dificilmente se repetirá. Isto é mesmo algo que vai ficar para a vida”, resumiu no final Rute Dionísio, uma das alunas que participou nesta iniciativa, promovida com o apoio técnico da Delegação da Beira Baixa da Rede de Emissores Portugueses.

Estabelecido a partir dos Enxames – freguesia onde foram encontradas as melhores condições para que a comunicação pudesse ser estabelecida sem interferências –  o contacto foi precedido de muita ansiedade e nervosismo. De folhas na mão, os alunos liam e reliam a pergunta que lhes estiva destinada para evitarem enganos, enquanto os “radioamadores” pediam que se desligassem os telemóveis de modo a evitar qualquer interferência que pudesse pôr em causa a ligação.

Nos dias anteriores, as experiências tinham corrido bem, mas, por outro lado, todos sabiam que, nestas situações há fortes probabilidades de, no último minuto, não se conseguir estabelecer comunicação. Desta vez, tal não aconteceu. À hora prevista, Scott Tingle, um dos astronautas que está na Estação Espacial Internacional, respondeu à chamada.

“Good Morning (bom dia)”, disse num tom claro e bem audível, que pôs fim aos receios prévios e deu lugar à adrenalina das perguntas, feitas a ritmo de corrida para que as respostas pudessem chegar antes do “OVER” final, ou seja, antes de a nave seguir o seu caminho e sair da órbita desta região.

Da voz dos alunos começaram então a ouvir-se as questões que tinham sido antecipadamente selecionadas e que versavam também sobre o tempo que demorou a habituar-se a viver em condições de baixa gravidade, o que faz em caso de fogo ou até qual o filme de ficção científica mais realista que viu até hoje.

De resposta pronta, Scott Tingle foi satisfazendo a curiosidade e explicou que come essencialmente comida empacotada, vegetais e fruta desidratada, que usa roupa normal e que a experiência mais perigosa que viveu foi a da saída da Estação Espacial.

Contou ainda que foi “absolutamente espetacular” ver a Terra de outra perspetiva, esclareceu que as plantas a bordo crescem no sentido da luz e também achou muita graça à questão sobre os procedimentos a seguir quando alguém vomita devido aos enjoos provocados pela gravidade.

“Respondeu-me que acontece muitas vezes e que não é muito difícil de limpar, porque eles até já estão habituados. Basicamente, disse que têm de isolar o líquido e colocá-lo dentro de garrafas para depois trazerem para a terra”, referiu Afonso Lopes, que em pequeno acalentava o sonho de ser astronauta. Hoje, Afonso Lopes quer ser engenheiro, mas continua a ter muito interesse pelo tema que marcou as suas brincadeiras de menino. Daí que sinta esta experiência como o concretizar de um sonho.

O mesmo acontece no caso de Pedro Paiva, que também se lembra de brincar com o irmão ais astronautas. Passada a infância e de pés bem assentes na terra, Pedro Paiva aponta a engenharia como o rumo profissional mais provável, mas nem por isso esquecerá este dia: “Foi claramente um evento inesquecível”.

Uma opinião partilhada pelo Rodrigo Mota, pelo Diogo Silva, pela Beatriz Pereira e demais colegas, que prometem não esquecer este momento que foi “uma cena mesmo fixe”.
Balanço positivo que se repete na voz da professora que coordenou o projeto, Teresa Ramos, que no final não escondia a emoção sentida pelo sucesso alcançado.

Esta responsável destacou ainda o desafio que esta experiência constituiu para todos e a mais-valia que representa para os alunos.

Frederico Gaiaz, “radioamador” a quem coube iniciar a ligação, já tinha participado numa ação semelhante na Alemanha e não hesitou em apoiar esta candidatura que se constituiu como mais um acontecimento “bastante interessante e muito desafiante”.

Bernardo Lucas, “radioamador” e aluno de Engenharia Eletromecânica que se associou à iniciativa para controlar as frequências dos rádios e para adequar as antenas à rota da Estação Espacial Internacional, também destacou a oportunidade de ter participado numa ação tão rara, que dificilmente será esquecida.

Catarina Canotilho e Célia Domingues