InícioSociedadeAgricultores desesperados com “invasão” de javalis

Agricultores desesperados com “invasão” de javalis

Eles destroem tudo, reviram o que foi semeado, não se aproveita nada”, lamenta José Martins quando aborda a “invasão” de javalis que há várias noites visita o pequeno quintal de couves e nabos plantados na aldeia de Caneiros, concelho de Oleiros. Por três vezes os animais foram às couves mas não esperou pela quarta. Farto de replantar couves, decidiu vedar a horta com arame farpado. “Uma desgraça, ninguém me paga o prejuízo que eles me fazem e a vedação que comprei”, completa.

Pelas terras do Interior, os estragos que os javalis fazem no semeado é tema de conversa diária. A partir de outubro tira-se da terra o que se plantou, sobretudo, produtos hortícolas. Os javalis, que atuam durante a noite, procuram também a fruta caída das árvores. Os incêndios destruíram boa parte das árvores, restam os pequenos quintais à volta das aldeias que estes animais selvagens procuram para se alimentarem. Contudo não são só os fogos que justificam a cada vez maior aproximação dos javalis aos aglomerados populacionais. A verdade é que estão reunidas as condições ideais para a sua reprodução.

“Os javalis precisam de água e de refúgio, que é a vegetação arbustiva. O território está cada vez mais despovoado, pelos que eles têm as condições ideais para uma capacidade maior de reprodução. Como as pessoas vão abandonando os campos, as hortas cultivadas ficam cada vez mais perto das casas. Os javalis movimentam-se para se alimentarem, logo procuram a comida onde ela existe”, explica Sandra Esteves, técnica da Federação de Caça e Pesca da Beira Interior (FCPBI). “É por isso que existem cada vez mais javalis e a situação vai continuar assim”, acrescenta.

Toda a reportagem na edição impressa do JF.

Célia Domingues