InícioSaúdeVítimas de AVC sem vaga imediata para reabilitação

Vítimas de AVC sem vaga imediata para reabilitação

Maria Roque Afonso, de 80 anos, viúva, deixara a casa, os animais e a horta em Santo André das Tojeiras, Castelo Branco, para passar alguns dias com a família em casa do filho em Almada. Na manhã 16 de outubro de 2017, enquanto tomava banho, sentiu um “formigueiro” do lado esquerdo do corpo. Primeiro a perna, depois o braço. “Senti imediatamente que não estava bem”, recorda com o máximo de lucidez.

Maria Roque reproduz o episódio de AVC (Acidente Vascular Cerebral) de que foi vítima com total clareza. “Nunca perdi a lucidez, felizmente”. Saiu mais rapidamente do banho e tentou vestir qualquer coisa a muito custo. “A perna não mexia e o braço parecia dormente”. Preparava-se para sair da casa de banho para pedir ajuda, mas já a filha estava com a mão na porta. “Então mãe, estás a demorar tanto…”. Não terminou a frase. “Estou a ter um AVC filha…”.

O Hospital Amato Lusitano em Castelo Branco referenciou a utente Maria Roque para a Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCC). Sem vaga, Maria Roque ficou aos cuidados da filha, que mora em Castelo Branco, durante duas semanas. “Tentámos ajudá-la até que surgisse uma ajuda profissional. A minha mãe passou a usar o tripé na minha casa que felizmente não tem grandes obstáculos. Ela queria continuar a comer e a vestir-se sozinha, nunca a impedi de nada, apenas estava com ela para a ajudar. Ela sempre foi uma mulher de energia”, assegura Alda Ferreira que recorreu a vários exercícios manuais para ajudar a recuperação da mãe.

Toda a reportagem na Covilhã e em Castelo Branco sobre as dificuldades destes doentes na edição impressa do JF.

Célia Domingues