“Todas as drogas estragam o cérebro, mais depressa ou mais devagar”

Filipe Sanches

Saúde

Manuela Grazina é investigadora no Centro de Neurociências e docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Desenvolve há anos um projeto que leva conhecimento científico às escolas sobre os danos que as drogas causam no cérebro. Diz que um dos dias mais marcantes da sua vida foi aquele em que no final duma conferência uma aluna lhe foi dizer que acabara de lhe salvar a vida.

Vivemos num tempo em que fazemos tudo depressa. Que riscos tem para o cérebro esta forma de vida?
Há um comprometimento quanto ao bom funcionamento do cérebro porque precisamos de tempo. Se for tudo muito rápido, o cérebro não tem tempo para efetuar o processamento adequado e guardar. E se não ficar na memória, o conhecimento e a experiência não podem ser utilizados. Esta pressa demasiada está a exigir-nos algo que não é possível em termos bioquímicos, biológicos e genéticos. E isso é estarmos a faltar ao respeito à nossa própria natureza.

Muitos dos mais novos vivem quase sem pausas, no mundo digital…
O digital é uma ferramenta espetacular e imprescindível, mas se for em excesso é prejudicial. A exposição excessiva altera a forma como o cérebro perceciona os objetos e também o próprio reconhecimento das emoções na expressão facial e que é o que nos permite interagir socialmente uns com os outros, gerando laços e afetos mais permanentes.

É por isso que alguns jovens têm uma gestão mais difícil das relações de proximidade?
Já há estudos a demonstrar isso mesmo. O digital estimula excessivamente o impulso, inibindo o autocontrolo…

Toda a entrevista na edição impressa do JF.

Lúcia Reis