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Marco Baptista continua desaparecido após alegado desfalque

Suspeito de ter desviado 115 mil euros da Rede de Judiarias, Marco Baptista continuava até ao fecho desta edição em parte incerta e com o telemóvel desligado. Tal como o JF já tinha noticiado na última semana, desde o início de novembro que ninguém parece saber onde está o até aqui consultor da Rede de Judiarias, que também foi o candidato do PSD à Câmara da Covilhã nas últimas eleições autárquicas.

Prometia “Verdadeira Vontade de Mudar”, mas  ficou em quarto lugar.  À derrota eleitoral, ter-se-á seguido o alegado desfalque, que terá sido efetivado a 3 de novembro (sexta-feira), mas que só foi descoberto alguns dias depois. Tudo porque, exatamente na mesma altura, desapareceram das instalações da Rede de Judiarias, sediada em Belmonte, o ‘router’ de ligação à internet e pelo menos um computador. Só quando as ligações foram repostas é que os funcionários deram pela falta do dinheiro na conta bancária na Rede de Judiarias.

As diligências posteriores acabaram por revelar que o dinheiro terá sido transferido para a conta pessoal de Marco Baptista. Ao que o JF apurou, a operação terá sido feita ao balcão e mediante a apresentação de um recibo de pagamento com as assinaturas dos presidentes das Câmaras de Belmonte e de Castelo de Vide, respetivamente, o presidente e vice-presidente da Rede de Judiarias. Todavia, sabe-se agora, as assinaturas terão sido falsificadas. Uma vez mais, as principais suspeitas recaem sobre Marco Baptista, que nesse dia à noite ainda participou numa reunião da Secção Concelhia do PSD. Depois disso, deixou de estar contactável, levando a família a participar às autoridades o seu desaparecimento.

Por seu turno, a Rede de Judiarias fez queixa no Ministério Público e informou as entidades governamentais com as quais tem vido a trabalhar. É o caso Direção Regional de Cultura do Centro, que foi designada pelo Governo para ser a entidade operadora do projeto “Rotas de Sefarad”, que teve como promotor a Rede de Judiarias e que conquistou um financiamento superior a quatro milhões de euros no âmbito do EEA-Grants, que conta com fundo da Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Segundo o JF apurou uma parte do dinheiro agora desviado era desse projeto, que já está em fase de finalização e que tinha Marco Baptista como responsável local. Trava-se de mais uma tranche que, à semelhança de outras, deveria ter sido transferida para os municípios aos quais ainda são devidos alguns pagamentos no âmbito das muitas intervenções realizadas e entre as quais se conta, por exemplo, a musealização do Museu Judaico de Belmonte.

Contactada pelo JF, a diretora regional da Cultura do Centro, Celeste Amaro, não aceitou pronunciar-se. Uma opção que também já tinha sido tomada na semana passada pelo presidente da rede, António Dias Rocha.

Catarina Canotilho