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A vitória do Pai Natal

Maria Antonieta Garcia

É uma imagem de beleza, uma maternidade de ternura imensa, o Presépio! Traçado em 1223, na cidade italiana de Greccio, por São Francisco, sempre lhe soubemos, o Menino, a Mãe, o Pai, a cabana… A ideia terá nascido, quando o Santo lia o texto de São Lucas sobre o nascimento de Cristo. No presépio incluiu um altar improvisado. Ali, celebrou a missa da meia-noite. Ouviram-no fiéis, gente simples. O Santo encantou com a homilia sobre a natividade de Jesus. E conta-se (lenda, ou não) que, naquela noite, enquanto São Francisco relatava e se emocionava com a história divina, um Menino “apareceu” no seu colo, iluminado por um raio de luz.

Soaram vozes: Milagre! Milagre!

Revelação bonita e os presépios ganharam vida, popularizaram-se. Depois, à presença do Menino Jesus deitado na manjedoura, a Maria e José… ao burro e à vaca foram-se juntando pastores, Reis Magos, a estrela, animais… Com imaginação, cada qual criava a vida comunitária que queria guiada por uma estrela!

– Olha o menino a ser adorado pelo pai e pela mãe! Às vezes, aninha-se no colo! Os braços embalam-no com cantigas de berço: – Vai-te embora passarinho, / Deixa a baga do loureiro, / Deixa dormir o Menino, / Que está no sono primeiro.//

Além, aquele miúdo pede em prece: Ó meu Menino Jesus / Boquinha de requeijão: / Dai-me da vossa merenda /Que a minha Mãe não tem pão.//

Outros trazem dádivas. Em dia sagrado, para a Festa, escolheram os mimos que puderam. Com o advento da luz, os dias crescem. A Esperança e Paz anunciam-se naquela estrela colocada no ciminho da cabana…

Tempo de vinho novo, de pão, amizade e alegria, à luz do madeiro a arder, no adro das Igrejas, ecoam palavras que aquecem a alma e o Menino. Na missa do galo, o proclamador do começo da claridade, fiéis exultam com a festa de júbilo.

Nesta consoada, não faltam as filhós, rabanadas e os sonhos fritos em azeite novo. Consumidos em data santificada estão isentos de colesterol mal-afamado. Paira um sentir tão franciscano, tão genuíno, nesta noite da família…

Por isso, em terras da Beira, onde o frio é muito e os fritos se confecionam dentro de casa, se inventou a saborosa Girgolina (ou jergolinha?) que o Alcaide traz à memória na festa dos míscaros. Nome meigo e divertido para uma bebida quente, de inverno; no Natal, suaviza o azeite depositado na garganta. Nos outros dias, também é vacina para constipações.

Por aqui, este Natal ainda está vivo. E todavia, parece que as luzinhas venceram os presépios, e o Pai Natal está no trono. Sem dúvida, simpático, afável, feliz, com ar de avozinho conquista as crianças… e não só. Sobretudo traz prendas!!! Pois. Quem se lembra de São Nicolau (ou Santa Claus) famoso pela generosidade para com os desfavorecidos, sobretudo crianças, festejado em vários países e de que o Pai Natal é contrafação? Genica real, tiveram os anúncios da Coca-Cola criados pelo ilustrador Haddon Sundblom. E o marketing, irmão promíscuo do mercado, foi adulterando o Natal. Do Menino que festeja o dia do seu aniversário, mal se ouve o nome. Fica a um canto! O herói é o barbudo, gorducho, bem-humorado com felicidade efémera, bem ensacada… Acompanham-no recentemente, nalguns locais, umas personagens estranhas. Importadas de outras festas?

O Pai Natal chegou, seguimo-lo. Num frenesim, compramos. A pressa devora a fruição da dádiva. Atualmente, o rol de presentes, a ceia, as comezainas cansam… Durante a semana o lixo é de luxo e “consciência da nossa inconsciência”. Solidariedade? Também há: não custa dar o que sobra, e tranquiliza. É assim o ser humano, salvo os santos e os be… (Ia a dizer “beatos” e desisti).

As crianças? Adoram os embrulhos. Abrem-nos com furor e rapidez. Mal tocam os brinquedos, mal os veem. A curiosidade é espiolhar outro saco, rasgar. Insaciáveis despacham prendas e entulham a sala de papéis e laços. Brincar? Talvez, noutra altura! Agradeceram?

Que é do sapato na chaminé, que aguardava que o Menino deixasse (ou não) uma lembrança? UMA!!!

Natal é quando e o que um homem quiser? Claro! Bom Ano para todos! Com Saúde e Paz!