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A propósito de um aniversário

Nuno Francisco

Muitas vezes, este caminho comum fez-se por entre as longas calendas do desespero e da desesperança. Nada que nos seja muito estranho nesta desenfreada busca por outros amanhãs que nos possam colocar a região num outro patamar de esperança. A realidade que nos conduziu nesta caminhada foi tingida com vários níveis de escassez, nomeadamente a de ambição e visão.

O conforto, esse, encontramo-lo tantas vezes na memória de dias pretéritos que pontuaram a nossa existência e que se tornaram relevantes exceções nesta travessia coletiva de um quotidiano que nos pertence e que moldamos segundo a nossa conveniência.

Olhando para o papel que a comunicação social tem desempenhado por estes lugares da Beira, é incontornável aportarmos a este semanário que está prestes a celebrar 72 anos. Uma obra que saiu da determinação de António Paulouro no longínquo ano de 1946  e que se alavancou através das décadas na demanda não apenas da informação, mas também na solidária mão que sempre deu aos anseios e aspirações de uma geografia demasiado distante da vista e do coração dos poderes que ao longe apenas adivinhavam o que por aqui se passava.

O papel da comunicação social local e regional não pode, de forma alguma, ser dissociado do contexto social onde ela está inserida.Não compreender isso é não compreender um dos fundamentos essenciais deste trabalho de proximidade. Um jornal que não esteja entranhado no sentir coletivo da comunidade que serve não cumpre em pleno a sua função.

Nestas longas décadas de partilha, naturalmente, nem sempre isentas de profundas dificuldades em manter vivo e dinâmico um projeto tão relevante como este, todos sempre deram e continuam a dar o melhor de si para fazer um Jornal do Fundão com qualidade e com um profundo comprometimento com esta Beira Interior.

Neste mês em que celebramos mais um aniversário, o compromisso eleva-se, novamente, ao mesmo padrão que fez deste semanário uma referência nacional: continuar o caminho desenhado e alimentado ao longo de mais de 70 anos. Porque o compromisso assumido será sempre para manter, sem desdenhar as dificuldades que a comunicação social passa, mas sempre firmes na convicção de que o caminho é o da insistência, o de não quebrar perante as adversidades. Esse também é o ADN do Jornal do Fundão.

O caminho desenhado por  entre todas as dificuldades que é o de erguer e manter um jornal com profundas raízes na região, navegando contra tantas tempestades,  ajudou-nos a manter a convicção de que a facilidade raramente foi repasto colocado à disposição de tantos que ao longo de 72 anos embarcaram nesta nau.

A demanda  é só uma e não poderá ser outra, sem hesitações e com a mão firme no leme. Este é o mês do nosso aniversário e é com o reconhecimento do trabalho de dezenas de mulheres e homens ao longo de tantos anos que abraçamos o desafio do futuro.

Não estamos, naturalmente, isentos a críticas e a reparos. Mas fica apenas e só o renovar de uma mensagem: O Jornal do Fundão está, como sempre esteve, ancorado nesta Beira Interior, nas suas angústias e esperanças; sempre com as suas gentes. O futuro está aí e vamos a ele. Com convicção e empenho.