InícioOpiniãoLinha da Beira Baixa: longa se torna a espera

Linha da Beira Baixa: longa se torna a espera

Miguel Nascimento

A Infraestruturas de Portugal adjudicou, no final do mês de novembro, a empreitada de Modernização do troço Covilhã – Guarda na Linha da Beira Baixa, no valor de 52 milhões de euros. Esta iniciativa permitirá concluir os 36 kms em falta na requalificação desta importante linha de transporte ferroviário da nossa região e do país. A espera tem sido longa, mas se tudo correr como previsto os comboios voltarão a circular na linha da Beira Baixa no primeiro semestre de 2019, aproximando as beiras (alta e baixa) e também a nossa ligação à fronteira, a Espanha e à Europa.

A concretização deste obra dentro do prazo estipulado, representa, apesar de tudo, um sinal positivo em relação a um território que tem sido demasiado fustigado pelas circunstâncias da interioridade e pelo abandono e falta de interesse cíclico do poder central. Também por isso registo este retomar dos trabalhos de requalificação da Linha da Beira Baixa como um sinal político forte e uma vontade efectiva do governo em contribuir para que a interior tenha futuro. Por isso, registo, com agrado, este sinal positivo apesar de já não ficar tão entusiasmado como em situações idênticas que aconteceram no passado na medida em que o tempo decorrido me obriga a fazer sentir que é preciso de ver para crer.

Depois de tantas intenções e adjudicações, de obras aos solavancos e de outras que simplesmente não avançaram, de tantos anúncios de anúncios e de tantos avanços e recuos em relação à Linha da Beira Baixa, preciso mesmo de ver os comboios a circular naquela Linha para acreditar que alguma coisa foi feita, apesar do tempo longo que já passou e de todas as oportunidades que o interior perdeu. Como se sabe a Linha da Beira Baixa está encerrada desde 2009, precisamente para a realização de obras de electrificação e modernização. Depois, com o argumento da crise financeira que atravessou o nosso país, as obras pararam de vez.

As requalificações entretanto realizadas e no valor de milhões ficaram à mercê do mato e do capim. Não sei se ainda estão operacionais ou se precisam de nova requalificação ou se as mesmas estão incluídas nesta empreitada. Não conheço o caderno de encargos desta obra. Sei apenas o que foi tornado público sobre a sua adjudicação. Por isso, também não sei se a boa notícia que representa esta adjudicação é também uma oportunidade para encurtar distâncias e aumentar a velocidade e o conforto na circulação de passageiros na ferrovia.

Espero e desejo que não se perca a oportunidade para se actuar a esse nível de modo a que o comboio seja um meio de transporte cada vez mais competitivo. A conclusão deste ciclo de modernização da linha da Beira Baixa tem que representar o final de um ciclo e corresponder a uma efectiva aposta na ferrovia como mecanismo de transporte alternativo de pessoas e mercadorias, com capacidade para ajudar a desencravar o interior e fazê-lo chegar às estações do futuro. Já se perdeu muito tempo. Não podemos perder mais.

Não podemos esperar mais. A cada ano que passa o nosso território tem menos gente e menos esperança. Por isso, esta adjudicação, apesar de tardia, é um sinal positivo. Até 2019 espero que não aconteça nenhuma crise económica ou algum revés político que faça a locomotiva do desenvolvimento e da coesão territorial parar mais uma vez. A Linha da Beira Baixa tem um tempo longo de serviço à região e ao país. Apesar da espera longa e angustiante para todos os que desejam ver luz ao fundo do túnel desta geografia da interioridade, vale sempre a pena agarrarmo-nos à esperança que estes momentos transportam para continuarmos a insistir num futuro para este chão que pisamos todos os dias.