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Pedro Dias “não mata um animal”, diz antiga namorada

Guarda - 07/11/17 - Prossegue julgamento de Pedro Dias acusado por dois crimes de homicídio consumados e dois crimes de homicídio sob forma tentada. Carrinha celular á chegada ao Tribunal Judicial da Guarda. (Miguel Pereira da Silva / Global Imagens )

Uma antiga namorada de Pedro Dias foi ouvida esta terça-feira no Tribunal da Guarda, onde decorre o julgamento do suspeito dos crimes de Aguiar da Beira.

Foi a Ana Cristina Laurentino que Pedro Dias pediu ajuda para ir buscar uma outra carrinha no dia dos crimes, em outubro do ano passado.

“Estava muito calmo para aquilo que já vi. Olhei-o na diagonal, mas eu não lhe vi sangue”, sublinhou.

Nesta ocasião, Pedro Dias ter-lhe-á ainda pedido para mentir e dizer que tiveram uma “escorregadela” e que tinham “passado a noite juntos”, caso alguém perguntasse, o que acabou por fazer com dois militares da GNR.

Segundo esta professora, Pedro Dias “é muito mulherengo” e tanto “era bruto e agressivo como tão depressa pedia desculpa”.

Apesar de ter admitido que chegou a ser agredida física e verbalmente pelo arguido, com quem não tinha resolvido alguns problemas de dinheiros e com duas carrinhas, a testemunha afirmou que “o Pedro não mata um animal”.

O depoimento do homem sequestrado

O homem que terá sido sequestrado por Pedro Dias recordou os momentos em que esteve amarrado e vendado com a filha da proprietária de uma casa em Moldes, concelho de Arouca.

No seu testemunho, através de videoconferência, António Duarte confirmou que terá sido sequestrado por Pedro Dias, tendo-o reconhecido da fotografia que viu na televisão, na sequência das notícias relativas aos crimes de Aguiar da Beira.

Ao Tribunal da Guarda contou que foi tratar do jardim de um familiar, por volta do meio dia de 16 de outubro de 2016, quando ouviu gritos que percebeu virem da casa ao lado.

Depois de chamar pela filha da proprietária da casa, Maria Lídia Conceição, e de não ter obtido resposta, decidiu ir ver se a senhora precisava de ajuda.

“Quando puxei a porta, vi o senhor Pedro Dias e ele deitou-me a mão e puxou-me para dentro de casa”, descreveu.

De acordo com António Duarte, nesta altura foi ameaçado com uma arma por Pedro Dias, que estava nervoso, mas a quem tentou acalmar e explicar que só tinha ido ver se a senhora precisava de ajuda.

“A dona Lídia não se calava, estava muito nervosa, ele mandava-a calar e eu também. Como não se calava, amarrou-lhe as mãos e foi buscar uma batata que lhe meteu na boca, depois amarrou-lhe os pés e tapou-lhe os olhos também”, descreveu.

Antes disso, António Duarte afirmou que Pedro Dias terá repetido a Maria Lídia Conceição “tu não te calas e eu vou ter problemas contigo”, enquanto a ameaçava com uma arma.

Referiu ainda que Pedro Dias lhe perguntou se tinha carro e onde o tinha, acabando por explicar-lhe o local onde estava estacionado, com cerca de meio depósito de combustível.

Só depois disso, numa altura em que tinham passado “umas duas horas” é que o arguido o terá prendido.

“Amarrou-me as mãos e os pés e mandou-nos deitar de costas um para o outro em cima da cama. Depois meteu-me uma batata na boca, que disse que tinha lavado e ela até estava húmida, e depois tapou-me os olhos”, acrescentou.

Cerca de “três quartos de hora” depois ouviu gente e decidiu arriscar e tentar soltar os tecidos que o amarravam, para pedir socorro.