InícioGuardaPedro Dias era pacificador e bondoso, dizem testemunhas

Pedro Dias era pacificador e bondoso, dizem testemunhas

(c) Fernando Fontes/Global Imagens

Várias testemunhas hoje ouvidas no Tribunal da Guarda descreveram Pedro Dias como um homem meigo, educado, pacificador, que gostava de ajudar os outros, tendo alojado pessoas sem-abrigo, alimentado quem tinha fome e dado lenha a quem tinha frio.

A descrição feita pelas testemunhas da personalidade de Pedro Dias – que está a ser julgado por vários crimes, entre os quais três homicídios ocorridos em Aguiar da Beira – foi, ao longo da manhã, motivando vários momentos de tensão e troca de palavras entre os advogados e entre os familiares que estavam no público.

Incomodado com comentários que alegadamente ouviu de um dos advogados, Pedro Dias chegou mesmo a levantar-se e a dizer “senhor juiz, é muito difícil estar aqui…”, tendo sido advertido de que não podia falar neste momento.

A primeira testemunha a ser ouvida hoje foi Andreia Dias, que disse que o seu irmão é “uma pessoa extremamente pacífica”, incapaz de fazer mal a algum ser, paciente, apaziguadora e com uma “bondade excessiva”.

“Para acontecer o que aconteceu, deve ter acontecido algo muito grave, seja lá o que for”, afirmou.

Andreia Dias referiu ainda o irmão dizia que rezava e pedia para que rezassem por Liliane Pinto (mulher que sobreviveu aos disparos e acabou por falecer meses depois), porque queria que ela contasse o que se passou na madrugada de 11 de outubro de 2016.

“Quando a Liliane morreu, o Pedro desabou”, afirmou.

Características do bom caráter de Pedro Dias foram também apontadas por Cláudia Duarte, Paulo Duarte, António Monteiro e Isaura Ventura.

Isaura Ventura afirmou ser muito amiga da família de Pedro Dias, que tem “uma educação de ouro”, e ter acompanhado as várias fases da vida dele. “É amigo do seu amigo, gentil, generoso, solidário, alimenta quem tem fome, dá lenha a quem tem frio”, afirmou, dizendo ainda ter visto vários sem-abrigo na quinta onde Pedro Dias tinha os animais.

Na pausa para almoço, o advogado Pedro Proença, que representa o militar António Ferreira e os familiares de Carlos Caetano, disse que assistiu a “uma autêntica sessão de beatificação do arguido”, e sublinhou que essas testemunhas não convivem com ele há muito tempo.

A advogada de Pedro Dias, Mónica Quintela, desvalorizou as criticas, comparando estas testemunhas às que foram ouvidas na semana passada a propósito dos pedidos de indemnização cível, que também disseram que “as pessoas são muito boas”.

Outro dado novo na sessão foi transmitido pela irmã de Pedro Dias. Segundo Andreia Dias, inspetores da PJ disseram-lhe que o irmão se devia entregar à PJ e não à GNR, porque “podia ser morto”.