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Pedro Dias ainda não falou mas tem feito anotações num bloco

(c) Miguel Pereira da Silva/Global Imagens

Pedro Dias, o homem que está a ser julgado por vários crimes, incluindo três homicídios em outubro do ano passado, ainda não falou no Tribunal da Guarda, mas tem ouvido atentamente todos os depoimentos das testemunhas de acusação e esta quinta-feira fez várias anotações num bloco.

Ao mesmo tempo, o acusado abanou a cabeça e trocou olhares com os seus advogados, de acordo com a Lusa.

Na opinião do advogado de acusação, Pedro Proença, houve “alguns olhares que revelam insatisfação relativamente a algumas coisas que podem estar a acontecer” e também “uma preocupação por parte do arguido em tomar apontamentos de coisas que se vão passando durante o julgamento”.

“Neste momento, o arguido estará a selecionar, do âmbito de prova produzida, os factos que lhe permitirão construir uma história tardiamente, que, de alguma forma, permita justificar o seu comportamento”, considerou, acrescentando soar-lhe “demasiado a estratégia para poder ser uma atitude e uma justificação plausível para o tribunal”.

Antes disso, o comandante da GNR de S. Pedro do Sul garantiu, no tribunal, que a abordagem feita a Pedro Dias para parar a carrinha onde este seguia no dia dos crimes ocorreu da forma habitual e não ameaçadora.

O comandante Horário Mateus contou que abordou a carrinha Toyota Hilux de caixa aberta numa confluência de estradas na zona de Coelheira, no concelho de S. Pedro do Sul, levantando o braço direito. Ao ombro, tinha uma arma, mas “estava virada para baixo”.

Segundo o comandante, a carrinha seguia “em marcha lenta” e, feito o contacto visual com o condutor, ficou com ideia de que ele iria parar, mas Pedro Dias “engrena uma mudança mais baixa, acelera violentamente e não pára”, seguindo em direção a Póvoa das Leiras (na estrada que dá acesso a Arouca), tendo aí começado a perseguição do veículo.

Mais tarde a carrinha foi descoberta abandonada e outro militar, Toni Martins, encontrou também um saco de plástico preto, uma arma e uma mala preta com víveres e documentos no interior. Ambos garantiram que as provas que encontraram foram preservadas até à chegada da Polícia Judiciária (PJ).

Também foram ouvidos outros militares da GNR que estiveram em contacto telefónico com Pedro Dias durante a fuga. Jorge Marques, do posto de Fornos de Algodres, foi um deles. Conheciam-se, porque tratavam de quintas próximas. Numa das conversas, Pedro Dias disse que ia a caminho de Valladolid para apanhar um avião.