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Parlamento aprova medidas de valorização da cestaria de Gonçalo

Fernando Nelas é um dos resistentes

O parlamento aprovou hoje, por unanimidade, três projetos de resolução de PS, PCP e BE sobre a promoção e a valorização da cestaria de Gonçalo, no concelho da Guarda.

As três resoluções – recomendações ao Governo, sem valor de lei – visam dar “notoriedade” e “visibilidade” à arte da cestaria, apostar “na formação e na certificação” e na aplicação de “políticas de preservação e difusão” daquela arte tradicional.

O PS sugere no seu projeto de resolução que o Governo “avalie”, em colaboração com as autarquias locais, a possibilidade de criação de um Centro para a Promoção e Valorização da Cestaria de Gonçalo, com vista a “assegurar um processo de certificação”.

Defende também a promoção, controlo, certificação e fiscalização da qualidade, “genuinidade e demais preceitos de produção da Cestaria de Gonçalo”.

O PS propõe ainda incentivos e apoios, a promoção de ações de formação e de valorização profissional, com vista à sua “divulgação e valorização”.

Recomenda ainda a possibilidade da existência de uma classificação “quanto à sua origem e qualidade, de forma que seja inscrito em cada cesto o local de manufatura” e lembra que Gonçalo é conhecida “em todo o país como a ‘Terra dos Cesteiros'”.

Já o PCP explica que a cestaria “foi responsável por duzentos a trezentos postos de trabalho” na freguesia de Gonçalo e que hoje “existem cerca de dez artesãos e que apenas três fazem da cestaria a sua forma principal de subsistência”.

Os comunistas apontam que a produção de vime veio decaindo “por incapacidade de escoamento dos produtos, que competem num ambiente cada vez mais hostil ao produto nacional”.

Para relançar o setor, recomenda ao Governo que, em articulação com o poder local, “disponibilize meios para a criação de uma estrutura de valorização, salvaguarda e promoção do património cultural e material relacionado com a produção e com o mercado da cestaria de Gonçalo, com capacidade para a certificação da origem e da técnica de cestaria”.

Defende ainda que “promova, juntamente com os artesãos e as autarquias locais, a formação de novos artesãos”, e que “crie um mecanismo de apoio à produção local de vime e à sua distribuição e escoamento”.

Por seu lado, o BE considera no projeto de resolução que a cestaria de Gonçalo “é um importante património nacional” e “há mais de 400 anos que ali se fazem cestos e foi dali que a arte da cestaria se espalhou pelo país”.

O BE considera que “importa mover esforços e implementar políticas de preservação e difusão da cestaria de Gonçalo”, dando-lhe “visibilidade”.

O partido propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que estabeleça “mecanismos de salvaguarda da cestaria”, nomeadamente a qualificação e a valorização das artesãs e dos artesãos, e aconselha ainda “o levantamento e inventariação das técnicas e processos” da arte de trabalhar o vime, o estudo e a investigação sobre a história, a estética, os processos, as técnicas e os materiais e a divulgação e promoção daquele património.