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Motoristas internacionais não estão a descansar o necessário

A Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) defendeu, em Vilar Formoso, a melhoria das condições de trabalho dos motoristas de transportes internacionais, durante uma ação que contou com a participação de sindicalistas espanhóis.

Durante a ação de sensibilização sobre o tema dos tempos de trabalho e de descanso, denominada “A Fadiga Mata”, a Fectrans defendeu, quarta-feira, melhores condições salariais para os motoristas, dado que, segundo o dirigente José Manuel Oliveira, os pagamentos “ao quilómetro” e “à tonelagem” não são contabilizados para efeitos de remuneração.

“São pagos como ajudas de custo e isso reflete-se negativamente quando o trabalhador adoece ou se reforma”, disse o responsável à agência Lusa.

O dirigente referiu que esta é “uma das batalhas” do momento, daí que a Fectrans procure “fazer subir o valor das remunerações” e também que a legislação em termos de tempos de condução e de repouso dos motoristas seja cumprida.

Disse que a desvalorização dos salários faz com que “muitos trabalhadores aceitem ritmos de trabalho exagerados ou trabalhos pagos de forma ilegal como, nomeadamente ao quilómetro, à tonelagem, e outras formas de pagamento, que, não estando previstas na lei, são utilizadas por muitos dos patrões deste setor para, a partir de baixos salários, imporem ritmos de trabalho”.

“O pagamento ao quilómetro faz com que o trabalhador percorra mais quilómetros e quantos mais quilómetros percorrer mais recebe e, muitas vezes, para que isso aconteça, são postos em causa os tempos de repouso que são essenciais nesta profissão para a salvaguarda do transporte em si, mas acima de tudo da saúde e da segurança do trabalhador”, apontou.

Durante a ação realizada na fronteira de Vilar Formoso, no concelho de Almeida, distrito da Guarda, os sindicalistas nacionais e espanhóis apelaram aos motoristas para que cumpram os tempos de descanso, porque “se essa regulamentação não for cumprida, é a sua própria vida que está em causa”, disse José Manuel Oliveira.