InícioGuardaMãe de Liliane Pinto quis ver Pedro Dias “olhos nos olhos”

Mãe de Liliane Pinto quis ver Pedro Dias “olhos nos olhos”

Guarda , 03/11/17 - Reportagem esta manhã junto ao Tribunal da Guarda onde tive inicio o Julgamento de Pedro dias por Homicídio e Rapto Na Foto : Aparato a entrada do Tribunal ( Fernando Fontes / Global Imagens )

Duas familiares do casal que terá sido assassinado por Pedro Dias, em outubro de 2016, recordaram hoje no Tribunal da Guarda que constituíam uma família feliz até aos crimes de Aguiar da Beira.

Na segunda sessão do julgamento de Pedro Dias, que teve início na sexta-feira, o Tribunal da Guarda começou por ouvir Maria de Fátima Lino, a mãe de Liliane Pinto.

A mulher fez questão de entrar na sala de audiência olhando fixamente para Pedro Dias, mas depois precisou de algum tempo para se recompor e partilhar com o Tribunal da Guarda que era habitual a sua filha dar um toque ou ligar sempre que chegavam a Coimbra, onde estava a fazer tratamentos de fertilidade.

Naquele dia, tal não aconteceu, o que a deixou com “o coração a palpitar”, com a possibilidade de ter ocorrido um acidente rodoviário, já que a filha também não respondia às várias tentativas de chamada.

Apesar de o casal ter saído cedo de casa, por volta das 05:30 do dia 11 de outubro de 2016, só pelas 18:30 acabou por ter conhecimento da morte do seu genro e de que a sua filha estaria em estado muito grave no Hospital de Viseu.

“Fui vê-la no dia a seguir e a minha filha estava numa lástima. Apenas tinha os olhos abertos, apertava-me a mão e mexia os lábios, mas penso que ouvia tudo o que dizíamos”, recordou, acrescentando que a visitou todos os dias em que esteve internada em Viseu e depois na Unidade de Cuidados Paliativos de Seia.

Durante a manhã de hoje foi também ouvida Virgínia da Conceição Pinto, a mãe de Luís Pinto, que entre lágrimas e muita emoção recordou que este foi sempre o seu “braço direito”. “E ela era uma filha, não era de sangue, mas era de coração”, destacou.

Advogada de Pedro Dias admite dor ao ouvir depoimentos

À saída para a pausa para almoço, a advogada de defesa de Pedro Dias, Mónica Quintela, considerou que qualquer pessoa que ouve o depoimento de uma mãe que perde um filho fica “completamente esmagada”.

“Qualquer cidadão que ouça um pai ou uma mãe falar sobre a perda de um filho ou de uma filha tem de ficar profundamente comovido, emocionado e solidário com essa dor. Penso que isso é universal e transversal, é uma dor que nos parte a todos”, disse.

Antes, ao início da manhã, o advogado João Paulo Matias, representante dos pais de Liliane e Luís Pinto, tinha dito aos jornalistas que ele e a família das vítimas esperam a pena máxima (25 anos).

No seu entender, face à prova que foi recolhida, não há dúvidas de que foi Pedro Dias “quem executou” os filhos dos seus clientes.

“Isto foi uma execução sumária de uma forma cruel, injustificada e inesperada. É uma memória trágica que irá ficar com eles para o resto das suas vidas”, referiu.