Aproveitando as férias sazonais, muitos emigrantes e estrangeiros vieram a Portugal. A grande maioria desloca-se de carro e são muitos os que passam pela fronteira de Vilar Formoso, para efetuar o pagamento de portagens exclusivamente eletrónicas. Os condutores queixam-se dos incómodos provocados por esta forma de pagamento.
O sistema de portagens para veículos com matrícula estrangeira, conhecido por Easytoll, permite associar um cartão de crédito à matrícula da viatura, através de um terminal de pagamento onde o condutor insere o cartão. Com validade de 30 dias, o valor das portagens por onde o veículo passa é diretamente debitado na conta bancária do condutor. Criado pelas Estradas de Portugal em 2012, o sistema está instalado em quatro pontos fronteiriços do país: A28, em Viana do Castelo; A22, no Algarve; A24, em Vila Verde da Raia; e A25, no Alto Leomil.
Apesar de existir há alguns anos, o sistema Easytoll ainda causa vários transtornos aos utilizadores que passam pelo pórtico do Alto Leomil. “O sistema em si não está muito bem feito, pelo simples facto que temos de sair da autoestrada para efetuar o pagamento”, explica Marco Ferreira, emigrante na Suíça, que veio passar a Páscoa à terra natal.
Marco afirma não ser contra o pagamento de portagens e recorda que no primeiro ano em que o sistema entrou em vigor, não tinha cartão de crédito e teve de ir até às bombas de gasolina de Celorico da Beira para comprar um cartão pré–pago “que nunca funcionou”. E a situação de Marco não é caso único. Nélson Loureiro, emigrante em França, refere que também já teve problemas com a utilização do sistema. Nélson conta um episódio em que a máquina não aceitou o seu cartão de crédito. “Fui-me embora, não paguei, até ao dia em que encontrei aqui os senhores da fiscalização que me fizeram pagar a multa”, referiu.
O sistema Easytoll foi concebido para facilitar o pagamento das portagens eletrónicas aos emigrantes e aos estrangeiros, com a simples passagem de um cartão bancário numa máquina. No entanto, os condutores não veem vantagens nesta forma de pagamento. Daniel Simões nasceu em França e sempre que vem a Portugal tem “problemas em inserir o cartão na máquina”. O erro na leitura dos cartões de crédito é frequente e o emigrante conta ainda que numa das vezes que passou pelo pórtico, “a máquina não leu corretamente a matrícula do automóvel”. Como não havia funcionários a prestar apoio nesse dia, Daniel e a sua família passaram sem dar conta do erro que lhes valeu uma multa.
O verão é a única época do ano em que existem funcionários a prestar apoio aos condutores que aderem ao sistema de pagamento. Durante os restantes meses do ano têm apenas acesso a uma linha de apoio telefónico. Para Tiago Costa, que trabalha durante um mês e meio nas portagens junto à fronteira de Vilar Formoso, as queixas dos condutores são constantes. “Trabalho nos pórticos desde o terceiro ano em que o sistema entrou em vigor e todos os anos há problemas com a leitura de cartões, depois as pessoas ficam indignadas por terem de se deslocar a um posto de combustível para comprarem um cartão pré-pago, que é a única alternativa a este sistema”.
O cartão pré-pago, ou tollcard, tem um custo variável entre os cinco e os 40 euros e é ativado através de uma chamada ou mensagem de telemóvel. Muitas vezes, o que acontece é que a sua ativação falha e “o pagamento não é feito”, conclui Tiago. Carlos Oliveira, emigrante na Suíça, também já pagou uma multa, por desconhecer o modo de pagamento por cartão de crédito. “Acho que deveria haver mais informações para os emigrantes, porque quem não sabe, não pára.” Para Carlos Oliveira, uma solução simples e fácil seria a implementação de um sistema de pagamento como na Suíça, através da compra de um selo anual.
Tiago Costa sublinha que há diversos inconvenientes, um deles é que certas matrículas, com dígitos vermelhos, não são lidas corretamente pelas máquinas. Outro dos problemas é que “a câmara de leitura de matrícula é frontal e, por isso, não consegue ler as matrículas dos motociclos, uma vez que a matrícula destes se encontra atrás”, refere. Assim, um dos conselhos que é dado aos condutores é que confirmem sempre os dados do talão que retiram da máquina. “Caso a matrícula esteja incorreta têm de avisar de imediato para que possamos corrigir o erro ou, caso não haja funcionários no local, ligar para as informações”, explica Tiago.
A empresa Infraestruturas de Portugal foi contactada no âmbito desta reportagem, mas as respostas não chegaram em tempo útil.
Adriana Gonçalves
