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Queijo Serra da Estrela demorará anos a recuperar níveis de produção

(c) Miguel Pereira da Silva/Global Imagens

A reposição dos anteriores níveis de produção do queijo certificado Serra da Estrela demorará vários anos, mas a qualidade não foi afetada pelos incêndios, assegura a Associação Nacional de Criadores de Ovinos Serra da Estrela (ANCOSE).

“A qualidade é igual à dos anos anteriores”, disse o presidente da ANCOSE, Manuel Marques, no dia em que começa, em Celorico da Beira, o ciclo anual de feiras do queijo de ovelha produzido na região.

Um centro de recria montado pela associação, em Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, já reúne cerca de 200 borregas da raça bordaleira e deverá contribuir para salvar o queijo com denominação de origem protegida (DOP) Serra da Estrela, após milhares de ovinos terem morrido nos fogos de outubro de 2017.

Manuel Marques prevê, no entanto, que a acentuada queda da produção de queijo DOP “vá prolongar-se por anos”, devido à falta de matéria-prima.

Após os fogos de 15 e 16 de outubro de 2017 na região Centro, “a situação era preocupante” quanto ao futuro dos rebanhos de raças genuínas da Serra da Estrela, bem como dos três produtos DOP da ovinocultura regional: queijo, requeijão e borrego.

Terão morrido mais de oito mil pequenos ruminantes, entre ovinos de raças autóctones e alguns caprinos, segundo estimativas da ANCOSE.

Mais de três meses depois da tragédia, “já temos alguns espaços a verdejar”, com recomposição dos pastos atingidos pela seca prolongada e pelos incêndios.

“Mas não tanto quanto desejaríamos”, lamentou Manuel Marques.

Na sequência dos fogos, a ANCOSE, com sede em Oliveira do Hospital, redobrou o trabalho de apoio aos sócios, repartidos por 18 municípios dos distritos de Castelo Branco, Guarda, Coimbra e Viseu.

“Continuamos a distribuir palha e rações pelos associados”, disse, revelando que a entrega de borregas aos criadores que perderam animais começará em março ou abril.

Para poderem receber estas doações, os beneficiários terão de “demonstrar que perderam ovelhas da raça bordaleira” nos incêndios.

Na totalidade, a ANCOSE espera reunir, aos poucos, 400 ovelhas para repovoamento.

A segunda prioridade é fornecer também animais jovens aos produtores que pretendam reforçar o número de efetivos, mesmo que não tenham registado perdas devido ao fogo.

“Mas estes terão de pagar”, esclareceu o presidente da associação.