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Promessa do judo nacional tem sangue fundanense

Num mundo cada vez mais global, já não é estranho encontrarmos alguém com grande diversidade cultural. É o caso da pequena Gabriella Silveira Yutaka, filha de pai brasileiro e mãe portuguesa, do concelho do Fundão. Com 11 anos de idade, é uma das maiores promessas do judo nacional, tendo sido contratada pelo Benfica e estando já com a mente nos Jogos Olímpicos.

A mãe, Ermelinda Santos, natural de Valverde, depois de frequentar a secundária no Fundão foi estudar para Lisboa e foi lá que se casou com o brasileiro Ângelo Silveira Martinelli, antigo judoca da seleção brasileira. Também ele é já uma grande mistura, com bisavós e avós muito diferentes: uns são de origem índia, outros italianos e outros japoneses. Daí o apelido Yutaka.

Em junho de 2006, já com Ermelinda grávida, o casal decidiu ir para o Brasil. A pequena Gabriella desde cedo revelou apetência para o judo, naturalmente influenciada pelo pai. Contudo, em 2015, tendo em conta os problemas crescentes de insegurança naquele país, a família decidiu regressar a Portugal.

Com 10 anos de idade, a pequena judoca encontrou algumas dificuldades de adaptação. No entanto, a capacidade desportiva não passou despercebida e o Benfica integrou-a na sua vasta equipa, que, como se sabe, tem em Telma Monteiro a grande bandeira. Gabriella tem correspondido às expectativas e ganha invariavelmente todos os torneios. Já neste ano de 2018, acumula triunfos em diversas provas e a última foi no dia 18 de fevereiro, no Open de Lisboa Infantis/Iniciados, onde venceu a categoria de -53 kg.

“Ela é muito focada, muito disciplinada e trabalha muito. Está ansiosa por atingir uma idade que lhe permita disputar campeonatos nacionais (só a partir dos juvenis) e, consequentemente, provas europeias e mundiais”, explica a mãe, Ermelinda Santos, acrescentando que é boa aluna na escola, mas que o judo é tudo: “Tivemos de fazer transformações em casa. Deixámos de ter sala, para termos um tatami (tapete) onde ela treina diariamente com o pai, para além das sessões quase diárias no Benfica. Todos acreditam muito nela e dizem que, se tudo correr dentro da normalidade, poderá chegar aos Jogos Olímpicos, talvez em 2024.”

As ligações familiares ao Japão também são importantes na modalidade e a jovem já foi convidada pelo antigo campeão olímpico Toshihiko Koga para um estágio. “Talvez este ano ou no próximo essa viagem se concretize”, diz a mãe.

Filipe Sanches