InícioCulturaTeatro de Alpedrinha palco do “combate” rock do ano

Teatro de Alpedrinha palco do “combate” rock do ano

Não há luvas nem calções que os distingam. Há guitarras, munição elétrica e a mesma dedicação. Aqui não está em causa “voar como uma borboleta, ferrar como uma abelha” mas o “rock suado” que vai por frente-a-frente dois grandes nomes da nossa praça.

Reconhecidos pelo grande público – tal como Muhammad Ali e George Foreman o eram em 1974 quando protagonizaram o combate histórico que ficou conhecido como “Rumble in the Jungle” – dos The Legendary Tigerman e Linda Martini espera-se um “choque de titãs”  que anime o público na noite fria de dezembro.

É já na sexta-feira que estas duas bandas vão subir, às 22 horas,  ao palco do Teatro Clube de Alpedrinha sob o forte aplauso dos fãs, que os aguardam com enorme expectativa.

“Já fiz isto várias vezes com outros projetos (digressões conjuntas), até internacionalmente. Propuseram-me que fizesse isto com eles (Linda Martini). Neste caso é uma coisa um bocado diferente porque se trata de juntar forças entre duas bandas. Não há ninguém a fazer a primeira parte de ninguém. No fundo, vai-se alterando entre quem toca primeiro e quem toca depois. Um combate entre duas bandas na forma como estão na música, que tem muito de «do it yourself».”

Quem o diz ao JF  é  Paulo Furtado, cara de The Legendary Tigerman, quando questionado sobre a decisão em fazer esta digressão conjunta, neste formato. “Cada um durante boa parte da sua carreira teve uma luta pessoal muito grande para conseguir fazer as coisas acontecer e no fundo trata-se de juntar forças para levar um concerto diferente às pessoas que pelo preço de um concerto acabam por ver dois.”

E  segue otimista o frontman do projeto fundado em Coimbra: “Às vezes é preciso inventar estes pretextos para chegar mais próximo das pessoas, não ser só aqueles espetáculos maiores”.

A escolha de Alpedrinha para apadrinhar o sétimo round desta digressão nacional vem no seguimento de uma linha proativa traçada pela organização do evento: “São sítios que têm tido alguma atividade e que de certa forma quiseram receber esta digressão. Deram-nos as condições para que as coisas pudessem acontecer e também têm feito acontecer.”

No outro canto do ringue vai estar Pedro Geraldes, guitarrista e coautor nos Linda Martini, que sobre a escolha do local onde irá decorrer  “o combate”, refere que “infelizmente o circuito em Portugal não é tão grande como o desejado e achamos que deve ser alargado. Procurámos salas onde fizesse sentido ir e o Fundão, mais especificamente Alpedrinha, será um dos destinos. A escolha foi falada entre as bandas, promotores e agências. Obviamente estamos contentes por ir aí, nunca fomos tocar ao Fundão, muito menos a Alpedrinha e é mais uma oportunidade de conhecer uma nova sala e tocar para outro público, um público que nunca nos viu.”

Questionados sobre a importância de trazer mais rock ao Interior ambos concordam: “é muito importante levar a música a todo o lado. Neste caso eu fico muito feliz por ir a Alpedrinha. Será certamente uma casa bem quentinha e estamos ansiosos por chegar aí”, avança Paulo Furtado.

Ambas as bandas trazem consigo confiança e um trunfo nas mangas: trabalho fresco. Vão presentear o público com  temas que integram os novos álbuns que ambas as bandas vão apresentar no início do próximo ano.

“É uma forma de tocar músicas novas que irão sair no próximo disco, de as experimentar, ver como funcionam, ou seja, é uma oportunidade para nós e para o público poder ouvir músicas que ainda não estão editadas e que não são conhecidas”, refere ao JF o guitarrista da banda lisboeta.

Paulo Furtado antecipa também, com segurança, que se irá ouvir música em primeira mão. “Temos mudado frequentemente os alinhamentos mas temos tocado quase metade do álbum. Metade dos concertos acabam por ser com músicas novas. Para nós enquanto músicos dá-nos a oportunidade de fazer os temas crescer mesmo antes de saírem”. Quanto às promessas, “o que podemos prometer é uma noite de muito rock and roll. O «Rumble in the Jungle» acaba por ser um pretexto mais gráfico. Um combate onde não há vencedores nem vencidos. O público é que acabará por, no final, ficar a ganhar.”

O coautor dos Linda Martini salienta, “pelos sítios onde passámos a energia e o retorno do público foi sempre diferente, e ao mesmo tempo que esperamos do nosso lado fazer o que nos compete, esperamos da parte do público alguma expectativa.

Toni Barreiros, promotor do evento, afirmou, por seu turno, ao JF que à data (terça-feira) ainda havia bilhetes, mas espera-se que venham a esgotar. No total, foram já vendidos 250, para uma sala que vai receber 300 pessoas. Dos 15 euros do bilhete, um euro reverte a favor da serra da Gardunha, para auxiliar a reflorestação desta zona consumida pelos fogos.

Pedro Santos