InícioCovilhã“Gargantas de Freira”, o doce que a Covilhã adotou

“Gargantas de Freira”, o doce que a Covilhã adotou

Era na Pastelaria Lisbonense, uma das mais antigas da cidade da Covilhã, que fechou portas há alguns anos, que as famosas “Gargantas de Freira” eram vendidas. A casa ficava no Pelourinho e era famosa pela sua pastelaria. Este doce conventual chegou à cidade no ano de 1912. É feito com ovos e calda de açúcar e enrolado numa folha de hóstia.

Mas como é que as “Gargantas de Freira” apareceram na Covilhã? Francisco Muñoz Gomes, um espanhol conhecido pelos covilhanenses como “Paco”, era o proprietário da Pastelaria Lisbonense. Trouxe de Lisboa a receita e começou a fazê-las e a comercializá-las.

Na Lisbonense trabalhou um pasteleiro da cidade, Joaquim Duarte de Oliveira, que revolucionou a doçaria da Covilhã. A partir daí outras pastelarias começaram a produzir também esse doce, que se tornou conhecido e famoso na região.

Atualmente a Padaria Dias, no Tortosendo, produz as famosas “Gargantas de Freira” entre as dezenas de variedades de bolos e doces. António Dias, o proprietário, diz que acontece há mais de sessenta anos. “Eu já as fazia na Padaria Marrocos. O meu padrinho José Mimoso era um doceiro da Covilhã de primeiríssima mão. Quando vinha alguém importante à Covilhã era o meu padrinho que levava a doçaria para os eventos, nomeadamente as ‘Gargantas de Freira’. Quando fiz formação, em Lisboa, na área da pastelaria, aprendi todo o tipo de pastelaria fina. As nossas ‘Gargantas’ têm alguns segredos que fazem a diferença.”

José Carlos Santos, o filho, acrescenta que este doce “é património gastronómico da cidade”.

Pedro Silveira