InícioCastelo BrancoAfinal a mortandade de peixes no Tejo é causada por microalgas

Afinal a mortandade de peixes no Tejo é causada por microalgas

(c) António José/Lusa

O relatório técnico-científico do Laboratório de Patologia de Animais Aquáticos aponta as microalgas como responsáveis pela recente mortandade de peixes no rio Tejo, em Vila Velha de Ródão.

O documento explica que no exame anátomo-patológico efetuado aos peixes verificou-se a presença de microalgas Cyanobacteria, Microcystis aeruginosa Kg.

“Em 20 setembro e 17 outubro passados foram analisadas amostras de peixe com a mesma proveniência do peixe desta amostra, tendo sido elaborados os respetivos relatórios (….) e onde consta ter sido identificada a alga acima referida [Cyanobacteria]”, lê-se no documento.

O relatório técnico-científico foi elaborado pelo Laboratório de Patologia de Animais Aquáticos pertencente ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), sendo que a amostra foram 17 peixes (alburnos) recolhidos na barragem do Fratel.

“Os ‘blooms’ constituem um problema grave, quer para a qualidade da água, quer para a ictiofauna. Neste caso, a consequência mais comum é a morte dos peixes por ação de toxinas (hepatotoxinas, neste caso) e por anóxia, ou devido a compostos provenientes da decomposição dos ‘blooms’, amónia e hidroxilaminas”, sustenta.

O documento explica ainda que nos ecossistemas aquáticos em processo de eutrofização, especialmente em períodos de temperaturas elevadas, como aquele que se registou e com ausência de pluviosidade, ocorre o desenvolvimento de grandes proliferações de fitoplâncton, ‘os blooms’ que causam a morte dos peixes.

Apesar deste estudo, os ambientalistas continua a falar em poluição. “Dizer que a mortandade de peixes se deveu às algas é incorreto porque a eutrofização das águas e as microalgas devem-se à poluição e são o resultado combinado da água estagnada, de temperaturas elevadas e, principalmente, do excesso de nutrientes gerado pela poluição da agricultura intensiva, das águas residuais urbanas e dos efluentes industriais”, disse à agência Lusa o porta-voz do Movimento pelo Tejo – proTEJO, Paulo Constantino.