InícioFundãoO que vai fazer o Fundão com os nove milhões?

O que vai fazer o Fundão com os nove milhões?

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O PLANO Estratégico da Desenvolvimento Urbano do Fundão (PEDU) concretizar em duas fases distintas até 2020, assenta em três eixos fundamentais ligados à reabilitação de edifícios para atrair atividades que criem valor social e económico, melhoria da mobilidade, designadamente através da criação de um interface rodoferroviário, criação de mais ciclovias na área urbana da cidade e melhorar vias para bicicletas e para peões no quadro de algumas localidades do chamado “Grande Fundão”.

“Não nos focámos apenas na reabilitação urbana, mas em intervenções que permitam tirar partido dos edifícios, dotando-os de novas funções que permitam atrair para o coração da cidade mais empresas, tendo em vista a inovação e a própria valorização social e cultural desses edifícios requalificados”, afirma Paulo Fernandes.

A recuperação da cobertura e das fachadas do edifício da Câmara chegou a estar prevista no Polis XXI, (mas que não se concretizou por falta de financiamento) será uma das primeiras intervenções a avançar. Inclui a instalação de um elevador exterior, virado para a Avenida da Liberdade, para facilitar o acesso ao edifício a quem tem dificuldades de mobilidade.

As obras estão adjudicadas à Duafar, do concelho de Castelo Branco e ascenderão a 357 mil e 677 euros.

Segundo Paulo Fernandes, deve avançar “ainda este mês” a requalificação do Largo das Oito Bicas, Rua Adolfo Portela até ao Largo de Santo António. A empreitada custará 221 mil e 820 euros e está a cargo da Constróbi, do Fundão.

“Será criado o mesmo perfil de lajeta central para facilitar a mobilidade, fechando o círculo no núcleo central da zona antiga”, refere o autarca.

Da estratégia desenhada para reforçar as condições de atração de indústrias criativas e de inovação social para o coração da cidade, faz também parte a recuperação do edifício onde funcionou o antigo Colégio de Santo António, situado ao cimo da Rua da Cale e que adotará a designação de “Design Factory”.

Terá como objetivo incentivar um diálogo permanente com o comércio tradicional e com a própria comunidade”, refere o presidente da Câmara, convicto de que desse cruzamento possa resultar “mais valor social e económico”para o núcleo central da cidade do Fundão.

O mesmo princípio serve também de referência à anunciada regeneração da antiga fábrica de móveis Cartel, (ainda não é propriedade do Município, encontrando-se as negociações ainda em curso) e que se situa no bairro a que dá nome.

Nas décadas de oitenta e noventa aquela zona da cidade tinha grande movimento, realidade que o encerramento da Eres e da Cartel acabou por inverter. As instalações da antiga fábrica de confeções Eres foram, entretanto, recuperadas e acolhem agora a CIMD-Companhia Industrial de Materiais Duros. As da Cartel serão revitalizadas com os apoios do PEDU.

“Parte desses antigos espaços industriais está recuperada e a outra parte será contemplada no PEDU, para continuar a atrair algumas empresas, revitalizando, dessa forma, aquela zona da cidade”, complementa Paulo Fernandes.

“Vamos avançar com projetos que encaixam na nossa agenda de inovação, de atração de empresas e de criação de modelos mais colaborativos que possam ajudar a alavancar a revitalização das próprias zonas da cidade em que serão concretizados”, diz ainda o autarca.

Para a revitalização das instalações da Cartel estão contemplados 550 mil euros, sendo certo que a propriedade daqueles edifícios ainda não é da Câmara, estando ainda em curso o processo negocial.

São sete as intervenções agendadas para a primeira fase do PEDU, a concretizar até final de 2018.

Das intervenções programadas para a primeira fase do PEDU, a recuperação do Cineteatro Gardunha é a que exigirá maiores recursos.

O processo negocial foi dos mais difíceis de sempre e as promessas de recuperação atravessaram décadas. A cidade nunca se conformou com o encerramento, nem com eventuais destinos que não contemplassem a devolução do emblemático edifício à cidade. O dossier passou pela mão de sucessivos executivos de maioria PSe PSD. Sempre sem resultado prático.

Após várias décadas de expectativas frustradas, estão, finalmente, garantidos os apoios para reabilitar o Cineteatro.

“Foi necessária muita habilidade para conseguir inscrever a intervenção do Cineteatro no PEDU”, confessa Paulo Fernandes, garantindo que, finalmente, tudo se conjuga para a recuperação resgatar para o presente um edifício por onde passou parte significativa da vida cultural do Fundão.

Lembre-se que o Cineteatro já é propriedade do Município, mas que ainda há recursos por decidir relativamente ao valor do imóvel (fixado pelo Tribunal num milhão e 200 mil euros, valor que foi depositado pelo Município).

“Vamos aproveitar este instrumento de apoio à reabilitação urbana para recuperar edifícios notáveis”, sublinha o presidente da câmara, confirmando que a intervenção no Cineteatro representará cerca de 50 por cento do investimento total previsto para a primeira fase do PEDU.

“A reabilitação manterá como funções centrais a atividade cultural e as componentes criativas, criando alguma flexibilidade para acolher também congressos”, afirma Paulo Fernandes.

Para breve está a apresentação pública dos estudos prévios com a presença do arquiteto José Manuel Castanheira, que assinará o projeto.

Envolvidas no processo estão também algumas instituições culturais do Fundão, que terão uma palavra a dizer do ponto de vista de eventuais sugestões. Haverá um período para ponderar eventuais sugestões, após o que se seguirá a conclusão do projeto e respetiva concretização.

“Penso que, no próximo verão, estaremos em condições de proceder à abertura do concurso público para a realização das obras”, adianta o presidente da Câmara.
Para a segunda fase do PEDU, ficarão várias obras, como será o caso da recuperação da cobertura e fachadas do antigo Hospital do Fundão, estimada em 800 mil euros.

Na lista das intervenções para mais tarde está também a criação do Centro Intermodal – construção de interface (rodoferroviário) na envolvente à estação de comboios e cujo investimento elegível é da ordem de um milhão de euros.

Está projetado para o lado nascente da linha de caminho-de-ferro, entre a variante e a estação e desviará o transporte rodoviário da cidade.

Parte do terreno já é propriedade do Município, mas será necessária mais área para aquele que é o investimento mais vultuoso da segunda fase do PEDU: cerca de um milhão de euros.

A melhoria da mobilidade com a criação de ciclovias é outra das áreas a concretizar, comportando mais-valias ambientais para a zona urbana e para a comunidade.

Um dos eixos a privilegiar é aquele que vai desde a Moagem, passa pela Rua Cidade da Covilhã, pela rotunda do Modelo e do Lidl até à variante do lado nascente do caminho-de-ferro e que já dispõe de uma ciclovia.

O objetivo é melhorar as condições para bicicletas e para peões, estendendo a intervenção até algumas localidades do chamado “Grande Fundão”,designadamente, até às Donas, a Valverde e ao Carvalhal, criando alguma “coesão urbana”.

Todas as intervenções calendarizadas para a primeira fase do PEDU têm financiamento assegurado.

“A segunda fase dependerá do êxito da primeira e da previsível reprogramação dos fundos comunitários”, afirma Paulo Fernandes.

A taxa de financiamento de 85 por cento a fundo perdido aplica-se a todas as intervenções públicas.

A primeira fase contempla um investimento de cerca de cinco milhões de euros, sendo que o Município terá a seu cargo apenas 600 mil euros.

“Apesar de o Município estar sob um Plano de Ajustamento Financeiro com inevitáveis condicionantes, conseguimos multiplicar o investimento e ter um plano de reabilitação urbana superior ao Polis XXI”, contabiliza Paulo Fernandes.

O Plano de Ação para a primeira fase inclui as seguintes intervenções: Ciclovia de ligação da Rua Cidade da Covilhã até à rotunda das zona comerciais; Reabilitação do Cineteatro Gardunha; Requalificação do Parque da Escola Secundária; Reabilitação do antigo Colégio de Santo António; Reabilitação do edifício da antiga Cartel; Reabilitação do edifício da Câmara Municipal; Requalificação da Rua Luís Magalhães, Largo das Oito Bicas, Rua Adolfo Portela, Jardim/Parque das Tílias e Largo de Santo António.

São intervenções que ajudarão a mudar o rosto urbano do Fundão. Para a segunda fase do PEDU, que irá até 2020, está previsto mais um conjunto de investimentos da ordem dos quatro milhões de euros, podendo alguns deles vir a ser antecipados.

Lúcia Reis