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Operação de charme para conquistar mercado judaico

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Autarcas, empresários, operadores turísticos e membros da comunidade Judaica de Belmonte estiveram esta semana a promover em Israel o património judaico português. Rede de Judiarias de Portugal promoveu a iniciativa

O MUSEU Judaico e a Sinagoga de Belmonte, a Casa da Memória da Presença Judaica em Castelo Branco, o Bairro Judaico da Covilhã e a Casa da Memória Judaica do Sabugal são alguns dos espaços e projetos regionais ligados à cultura judaica que figuram no vídeo promocional que na última terça-feira foi apresentado publicamente na Feira Internacional de Turismo do Mediterrâneo, em Telavive Israel. O vídeo foi realizado no âmbito do projeto “Rotas de Sefarad – Valorização da Identidade Judaica Portuguesa” e a partir de agora deverá começar a correr mundo, a começar pelos países onde há uma forte implementação judaica.
O pontapé de saída foi, simbolicamente, dado em Israel, ou não fosse este o país responsável pelo forte crescimento do turismo ligado à cultura e identidade judaica que se tem registado em Portugal, nomeadamente em concelhos da região.
Resultados que a Rede de Judiarias de Portugal (RJP), com sede em Belmonte, considera muito positivos e que espera que continuem a aumentar. Por isso mesmo, e à semelhança do que tem feito nos últimos anos, voltou a marcar presença naquele que é considerado o maior evento de turismo de Israel.
“É uma aposta que temos vindo a fazer pelo menos de dois em dois anos e que consideramos muito importante, dado o retorno conseguido quer a nível turístico quer nas oportunidades de negócio que alguns empresários identificam”, referiu António Dias Rocha, presidente da Rede de Judiarias de Portugal.
Lembrando que vários dos municípios que integram a RJP têm feito um enorme esforço no sentido de preservarem a cultura, os costumes e o património judaico, o também presidente da Câmara de Belmonte destacou a importância de dar a conhecer essa realidade aos israelitas, povo que tipicamente viaja muito e que pode contribuir para o aumento do número de visitantes nesses concelhos.
Belmonte é um exemplo claro dessa realidade, conforme comprovam os números relativamente às visitas registadas no Museu Judaico: “Em 2016, atingimos o número recorde de cerca de 70 mil visitantes, mais de 20 mil dos quais só da diáspora judaica. Temos vindo a crescer todos os anos e queremos que esse crescimento se mantenha e, é por isso mesmo, que voltamos a estar nesta feira”, frisou António Dias Rocha.
No caso do Sabugal, que também participa neste evento, há agora razões acrescidas para apostar na divulgação e promoção em Israel, já que dentro em breve será reaberta a Casa da Memória Judaica, espaço que conta a história da presença judaica naquele concelho e que contribuirá para uma melhor perceção da identidade coletiva, como afirmou Delfina Leal, vice-presidente da Câmara do Sabugal.
Segundo referiu, este investimento também deverá contribuir para o crescimento turístico naquele concelho, que se tem afirmado essencialmente pela oferta ligada ao património histórico.

Empresários também apostam em Israel

Mas a conquista do mercado judaico não está a ser feita apenas pelos municípios. Empresários e representantes do setor hoteleiro também integram esta comitiva, exatamente na esperança de estabelecerem negócios e conquistarem mais clientes.
“Vimos à procura de encontrar mais clientes e esperamos poder mostrar-lhe o nosso hotel para que eles depois nos possam visitar”, explicou ao JF Alípio Henriques, proprietário do Belmonte Sinai Hotel, uma das poucas unidades kösher existentes no país.
Resultado de uma aposta que se prende com o facto de Alípio Henriques ser judeu e não gostar de ver outros judeus que visitavam a sua terra natal não terem onde ficar, o Belmonte Sinai Hotel até agora tem correspondido às expectativas, mas espera que apôs este primeiro ano comece a registar um crescimento em termos de procura.
“Estamos bastante curiosos com o resultado da presença nesta feira e também com o que vai acontecer a partir de março/abril, que é quando começa a época alta no que concerne ao turismo judaico”, acrescentou ao JF Lúcia Henriques.
Uma expectativa que também é partilhada pelo grupo Luna Hotels & Resorts, que desde agosto gere o Hotel Serra da Estrela, Hotel dos Carqueijais e chalés de montanha, unidades que anualmente já recebem um número bastante considerável de visitantes. “O grupo Luna está sempre atento a novos mercados, nomeadamente os que estão em crescimento. Tendo isso em consideração, bem como o número de turistas israelitas que estes hotéis já recebem, consideramos que faz todo o sentido estarmos neste certame, não só para cativar eventuais clientes, como também para percebemos se há algum aspeto da nossa oferta que possa ser melhorado”, referiu ao JF Rafaela Faias, assistente comercial do Luna Hotels & Resorts.

Toda a reportagem pode ser vista na edição semanal do JF.

Catarina Canotilho – em Israel a convite da Rede de Judiarias de Portugal