InícioSaúde“Não há dinheiro que pague a sensação de salvar uma vida”

“Não há dinheiro que pague a sensação de salvar uma vida”

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Carlos Catarino é um cardiologista de renome. Nasceu em Silvares, é chefe de serviço no Hospital Garcia de Orta, diretor clínico e vice-presidente do Instituto de Cardiologia Preventiva de Almada

JORNAL DO FUNDÃO – Como cardiologista como é que comenta a realidade regional em matéria da prestação de cuidados de saúde?
CARLOS CATARINO – Não conheço a realidade regional, mas sei o que se passa na minha terra. Silvares tem tido muitas dificuldades em fixar médicos, o que me parece estranho quando existe uma Faculdade de Medicina na região. Ultimamente, os médicos não param na minha terra. Temos tido muitas dificuldades. Este modelo não serve a população.

Porquê?
O médico faz as consultas, mas a saúde é muito mais do que uma consulta. Os cuidados de saúde têm a ver com a prevenção, com o controlo da hipertensão arterial, da diabetes, da coagulação, têm a ver com a medicina familiar, a saúde da grávida e das crianças. E essas vertentes não são asseguradas. O médico apenas vai esporadicamente. Este modelo não serve a população.

É assim em Silvares e em toda a faixa interior do país…
De um modo geral o nosso país está muito desequilibrado, com grande falta de recursos nas regiões do interior.

Toda a entrevista na edição impressa do JF.

Lúcia Reis