InícioSociedadeCésar Brito reabriu a “cave” e já convidou o amigo Pauleta

César Brito reabriu a “cave” e já convidou o amigo Pauleta

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Natural do Barco, concelho da Covilhã, César Gonçalves de Brito Duarte nasceu a 21 de outubro de 1964. Tem 52 anos e iniciou a sua carreira desportiva no Sport Clube do Barco. Mais tarde rumou até ao Sporting da Covilhã. Foi transferido para o Benfica, em 1984. Vestiu a camisola da seleção nacional mais de uma dezena de vezes. É amado e respeitado pelas gentes do desporto e pelo mundo benfiquista, em especial. Recentemente, reabriu a discoteca “A Cave”, no Barco. Aceitou fazer uma pequena entrevista com o JF, algo raro na sua vida.

 

JORNAL DO FUNDÃO – Como foi a sua infância no Barco?
CÉSAR BRITO – Fui uma criança igual a tantas outras, como deve calcular. Somos uma família enorme e sempre brincámos uns com os outros. Tenho sete irmãos. Frequentei a escola até ao sexto ano, no Barco. Esta é a minha terra, o meu porto de abrigo. É aqui que tenho as minhas raízes, sou um beirão de gema. Sempre gostei deste sentimento ligado à terra, da natureza, destes cheiros, até construí uma casa no Barco, nem podia ser de outra forma. Esta é a minha verdadeira casa. Nunca gostei da confusão do Litoral.

Qual foi o seu primeiro clube?
Sempre joguei futebol. Comecei por jogar num clube da minha terra, o Sport Clube do Barco, uma equipa familiar. Passei pelo Sporting da Covilhã onde gostei imenso de jogar, nos anos 80. Quero dizer-lhe que sempre desejei ajudar o clube da nossa zona, o Sporting da Covilhã. Ou seja, iniciei e terminei no Sporting da Covilhã. Tinha uns 34 anos.

Do Interior para o Litoral, nomeadamente, para o Benfica. Alguma vez pensou jogar no Benfica?
Não, quer dizer… Estamos rodeados de montanhas, geograficamente, no Interior. Vamos lá ver, os jovens da minha altura todos sonhavam, todavia nunca me passou pela cabeça jogar no Benfica, nem tão pouco fazer uma carreira internacional. As nossas aspirações eram simples, os nossos horizontes não passavam da Estrela e da Serra da Argemela… Aconteceu… Estive uns 11 anos no Benfica, fui muito feliz no clube das águias.

Marcou dois golos decisivos nas Antas, que deu aos encarnados o 29.º título de campeão nacional em 1990-91. Foi o momento alto na carreira do César Brito. Ainda se recorda?
Claro que sim, jamais me esquecerei desse momento tão alto da minha carreira, foi verdadeiramente marcante. Olhe, ficava a faltar o jogo com o Rio Ave, portanto, nós tínhamos que ganhar nas Antas para podermos sonhar com o título nacional. Os dois golos decidiram a vitória do Benfica que bateu o FC Porto por 2-0. Foi um jogo que terminou com um tumulto. Foi uma euforia, inesquecível. Acabei por sair do Benfica no verão de 1995 depois de 11 anos. Passei pelo Portimonense, Belenenses… entre 1996 e 1998 joguei no Salamanca e um ano no Mérida. Terminei a minha carreira no Sporting da Covilhã, em 1999; aliás, com muito orgulho. Tinha uns 34 anos, ainda era muito novo, mas eu era muito dado a lesões. Resolvi deixar os relvados, tive o meu tempo.

 

Acha que teria lugar neste Benfica?
Vamos lá ver, o futebol de agora é completamente diferente do da minha altura. Hoje está muito associado a marcas. É uma questão difícil de responder, no entanto, o Benfica tem bons jogadores, no meu tempo também.

Alguma vez pensou seguir a carreira de treinador? Porque se afastou do futebol?
Cheguei a pensar em tirar o curso, mas esta vida de treinador é bastante exigente e muito instável. Às vezes chego a pensar nisso e até já me arrependi algumas vezes, mas depois passa (risos). A minha ligação com o futebol continua nos jogos entre solteiros e casados. De vez em quando vou a Lisboa assistir a uns jogos. O presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, é um grande presidente e faz questão em convidar-me. Tem uma forte ligação aos jogadores que passaram pelo Benfica e tenho um enorme respeito por ele. Tenho amigos ligados ao futebol que resolveram treinar seniores e outros estão envolvidos em projetos desportivos, como por exemplo as escolas de futebol. Eu achei que estava na hora de sair. Queria experimentar outras coisas, que não estivessem ligadas ao mundo do futebol.
Ao longo destes anos, onde tem andado?
Eu nunca fui muito ligado à comunicação social, nunca fiz questão de aparecer… Ao longo da minha carreira nunca dei muitas entrevistas… Estive sempre por aqui, no Barco. Eu adoro a tranquilidade desta aldeia. Aliás, eu estive sempre dentro e fora do Barco. Quando jogava no Benfica, quando tinha tempo livre fugia para aqui… Uma coisa que faço com muito gosto é caçar. É o meu desporto preferido.

Como foi representar a seleção nacional?
Ninguém imagina a sensação que é. Não tenho palavras para descrever. Vestir a camisola da seleção portuguesa é algo transcendente. Foram 14 vezes e dois golos. É preciso estar lá dentro para sentir o pulsar de um país. A equipa está ali toda, desde do senhor das camisolas até ao selecionador. Estamos a representar a nossa pátria. É uma grande emoção e uma mistura de sentimentos que ultrapassa a realidade. Carregamos as expectativas de um povo, de um país, já viu a responsabilidade? É fantástico ouvir o hino nacional e vestir o equipamento da seleção.

Ainda como jogador profissional, o César apostou numa discoteca, no Barco, “A Cave”. Como surgiu a ideia?
Os meus sogros sempre estiveram ligados à área da restauração. Tive um restaurante, mas com a crise resolvi fechar. Há vinte anos resolvi investir numa pequena discoteca em parceria com o meu sogro. Quando eu estava ausente, era ele que fazia gestão do espaço.

Depois de mais de uma década fechada, há quinze dias resolveu reabrir a discoteca “A Cave”, como está a correr?
Eu e a minha esposa sentíamos alguma monotonia. Para colmatar esse vazio, resolvemos abrir com cara nova “A Cave”. Fizemos algumas obras e resolvemos apostar num projeto que nós gostamos muito. Temos um ambiente fantástico e apostamos na segurança e no bem-estar dos nossos clientes. No dia da abertura tivemos mais de 400 clientes. As pessoas invadiram a aldeia. Acho que é importante para a economia da terra. A discoteca abre aos sábados, a partir das 23 horas. Os nossos clientes acabam por frequentar os cafés locais. No próximo sábado, vamos ter o Bruno Salvado, com a temática dos anos 80. Vai ser uma noite fantástica! Já convidei o Pauleta, o José Carlos e outros jogadores para visitarem a discoteca. Espero recebê-los brevemente.

Pedro Silveira