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Primas de 100 anos impressionam a aldeia

(c) Pedro Martins/Global Imagens

(c) Pedro Martins/Global Imagens

A  extraordinária longevidade de duas primas vizinhas na Sertã. São centenárias e dizem não sentir a idade cronológica. Uma ainda faz costura, a outra todas as tarefas da casa

“COMO conseguiu chegar a esta idade?”. A pergunta surge na ponta da língua quando temos à nossa frente uma pessoa que já ultrapassou um século de vida. Queremos saber o “segredo” da longevidade, porque os 100 são como que uma barreira intransponível. “Chegar aos 100 é uma carga de trabalhos”, diz-nos Maria do Carmo Pires, do alto dos seus 102 anos, feitos a 2 de novembro.

Curvada sobre a máquina de costura, porque a sua alta estatura assim a obriga, Maria do Carmo Pires só descansa para limpar os olhos que se enchem de lágrimas depois do esforço da visão. Aqueles olhos azuis ainda conseguem encontrar o buraco da agulha por onde as mãos enfiam a linha. O quarto é a sua sala de trabalho, os tecidos a matéria prima. Aceitou deixar a sua casa onde já vivia sozinha, para viver, na mesma aldeia mas na casa da filha, Carminda Ruivo, de 77 anos, sob condição de poder levar a máquina de costura. Ali mantém aquela que foi sempre a sua paixão: a costura. E ai de quem entra no quarto sem primeiro bater à porta, porque caso contrário, lá se vai a concentração.

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“E como vai a sua saúde?”, perguntámos. “Está melhor que a minha!”, interrompe a filha. O mesmo nos dirá o filho de Maria da Conceição Lopes, a outra filha da terra que acabou de completar, a 28 de fevereiro, 101 anos. “Eu tomo sete comprimidos por dia, ela toma o da tensão e mais nada”, diz João Lopes, de 80 anos, que vive com a mãe. Maria da Conceição assume todas as tarefas domésticas e também as da horta. No fogão tem o seu melhor aliado porque nele desenvolve o que de melhor sabe fazer. E com gosto: os cozinhados. “Ninguém me ensinou. Fui muito nova para “servir” (termo usado para dizer que foi empregada doméstica) para Lisboa. Fui fazendo experiência e as coisas iam saindo bem”, explica.

Toda a reportagem na edição impressa do JF.

 

Célia Domingues