InícioSociedadeTestemunhas, memórias e afetos em redor da emigração

Testemunhas, memórias e afetos em redor da emigração

(c) Fernando Fontes/Global Imagens

Foram muitos os que partiram e não serão tantos os que vão regressar. Mas se e quando chegarem, o país deve acolhê-los com afeto. Não porque durante anos tenham mandado remessas que ajudaram a equilibrar as contas nacionais. Não porque, ao voltarem, serão determinantes para a demografia nacional. Não porque possam trazer dinheiro para investir. Correspondendo à verdade, estes são argumentos menores perante a grande razão que se impõe: Estamos a falar de portugueses. E é por isso mesmo que chegou a hora de olhar (e ver) os emigrantes. Chegou a hora de preservar a memória, de lhes permitir a reconciliação com o país e de abandonar os preconceitos. Chegou a hora de criar políticas públicas que os ajudem a regressar. Estas foram algumas das ideias deixadas ao longo dos dois dias da segunda edição dos Colóquios “Labirintos da Memória”, que realizaram no Fundão e Sabugal.

Sociólogos, estudiosos, políticos e jornalistas juntaram-se numa reflexão em que muito se falou dos emigrantes. Melhor dizendo, dos portugueses que vivem lá fora. Mas também se falou dos filhos ou dos amigos e família, que preservam ou já estabeleceram um vínculo com o país. E porque falar de migração é falar de todos, falou-se também daqueles que no cartão de cidadão têm as palavras Fundão/Sabugal inscritas na naturalidade e que estão espalhados pelo País. Falou-se ainda dos que estão a chegar, os imigrantes. Os que nasceram noutros países e que escolhem esta região para viver.
A jornada foi longa e rica, tendo deixado claro que todos os migrantes – com “e” “i” – podem ser uma mais-valia para o país e em particular para esta região de baixa densidade.

A região que viu partir e que, finalmente, coloca na agenda a temática do regresso e da atração dos demais: “Temos de seguir o quadro da valorização, do respeito, do agradecimento, mas também devemos apostar numa nova abordagem, criar políticas públicas que os ajude a regressar”, apontou o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes.

Uma ideia partilhada por António Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, que defendeu que estas políticas devem ser conjugadas entre os territórios, isto é, criar uma espécie de organismo, o “laboratório de políticas públicas”, onde as tais medidas sejam definidas.

Todo o artigo na edição impressa do JF.

Catarina Canotilho