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“O sol parece lume e a terra quase que arde”

“O sol parece lume e a terra quase que arde, tal é o calor que se tem feito sentir para estes lados das Quintas da Torre”, diz, apreensivo,  José Cabeças, que, em 52 anos de vida, não se lembra de um verão tão quente e tão seco, como o deste ano. Não há sequer um dia em que José Cabeças não vire os olhos para o céu, na esperança de poder  vislumbrar sinais de chuva. Não tem a sorte de fazer agricultura em zona de regadio e os receios de que a água possa acabar crescem com os dias a sul da Gardunha. O regadio tarda a chegar.

As charcas e os furos  estão quase à míngua e os agricultores estão apreensivos perante a possibilidade de as reservas  esgotarem, ficando sem água para os animais. É esse o drama de José Cabeças e de muitos outros agricultores que exercem a sua atividade a sul da Gardunha.

 “Mal de mim e das minhas 400 ovelhas se a água acabar”, antevê, receoso, quando o verão nem sequer vai a meio.

“Andamos há anos à espera do regadio, mas se demorar muito a chegar, acho que já não haverá por cá agricultores. Os mais novos não querem saber da vida no campo e sem água para regar muito menos”.

A poucos quilómetros de distância,  Aníbal Jerónimo, que tem cerca de 140 ovelhas, partilha a mesma preocupação. O reclamado regadio tarda a chegar e as reservas nas charcas da Quinta do Azinhal, na zona da Orca, estão a diminuir de dia para dia. Chuva, nem vê-la!

 Toda a reportagem na edição impressa do JF.

Lúcia Reis