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Queijo da Serra pode ficar em risco

(c) Miguel Pereira da Silva/Global Imagens

(c) Miguel Pereira da Silva/Global Imagens

A redução do número de ovelhas da Serra da Estrela não parou de baixar nos últimos cinco anos, o que leva a associação do setor a defender incentivos públicos à preservação do queijo certificado da região.

“Não podemos deixar extinguir o queijo Serra da Estrela”, diz Manuel Marques, presidente da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela (ANCOSE), que abrange 18 municípios dos distritos da Guarda, Castelo Branco, Viseu e Coimbra.

Este filho de pastores de Mangualde refere que em 2012 havia cerca de 120 mil ovelhas das duas raças autóctones, “bordaleira” e “churra mondegueira”, de cujo leite é feito o queijo com denominação de origem protegida (DOP).

No entanto, segundo Manuel Marques, o número de efetivos tem vindo a registar uma “quebra substancial”, situando-se atualmente nas 75 mil cabeças.

“Qualquer dia, o leite produzido pelas raças da Serra da Estrela não chega para o queijo que é consumido no país”, alertou, à Lusa.

Para o presidente da ANCOSE, importa que o Estado e as autarquias avancem com novas medidas de apoio à produção, recorrendo para tal aos fundos europeus do Portugal 2020.

Manuel Marques lamentou que, na sequência de “uma alteração substancial da lei”, no ano passado, tenha sido retirado aos criadores um apoio anual de 15 euros por cada ovelha, que existia ao abrigo das chamadas “medidas agroambientais”, como incentivo ao aparecimento de novos rebanhos e ao desenvolvimento do mundo rural, com financiamento da União Europeia.

“Os pastores estão a viver com muitas dificuldades”, acrescentou, defendendo que “a Administração Central e os municípios tenham esse cuidado” de elevar o nível das economias familiares do interior montanhoso.

Na sua opinião, “a política de subsídios à agricultura e pecuária está errada há muitos anos e isso tem sido transversal a todos os governos”, sendo necessário, no caso da ovinicultura da Serra da Estrela, incentivar o aparecimento de novos rebanhos.

A “diminuição substancial” dos efetivos de raças autóctones “ameaça a qualidade do queijo” certificado e compromete mesmo a capacidade dos criadores responderem à crescente procura deste produto DOP do Centro de Portugal.

“A maioria dos pastores da região tem idades acima dos 50 a 60 anos. Hoje, não há incentivos a esta parte da agricultura, que é a mais rentável, mas também a mais difícil”, sublinhou o presidente da ANCOSE.

Trata-se de um setor que “cria trabalho e riqueza e é também importante na prevenção dos incêndios florestais”, mas entre os produtores de queijo da Serra da Estrela “não há domingos, não há feriados, nem festas”, enfatizou.