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População de Silvares contesta encerramento da Caixa

Habitantes de Silvares, concelho do Fundão, manifestaram-se contra o anunciado encerramento da agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD) na localidade e exigiram a manutenção deste serviço público. O protesto foi realizado hoje devido ao simbolismo do dia e decorreu junto desta agência do distrito de Castelo Branco, cujo encerramento está marcado para dia 2 de maio.

Além da população da vila, estiveram presentes habitantes de freguesias vizinhas, nomeadamente do couto mineiro, bem como representantes sindicais, autarcas e políticos de diferentes cores políticas dos concelhos do Fundão e Covilhã, que se uniram numa manifestação em que foi exigida a intervenção do Governo e do Presidente da República.

“Peço encarecidamente ao senhor Presidente da República que exerça o seu magistério de influência”, afirmou o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, apelando também à intervenção da tutela e de todos os órgãos de soberania.

Num discurso duro, em que classificou este encerramento como “absurdo”, “admissível”, “funesto” e “hipócrita”, o autarca também criticou a “falta de transparência do processo” e a “clara inexistência de critérios”.

Paulo Fernandes considerou ainda “vergonhoso” que o encerramento esteja a ser comunicado aos clientes como uma forma de melhorar serviço: “Mas estão a gozar connosco? Onde é que isto já se viu?”.

No dia em que se comemora o 25 de Abril, a indignação subiu de tom e abarcou as medidas alternativas que estarão a ser ponderadas, tais como a possibilidade de criar uma fila apenas para os clientes desta faixa do território.

“Já só faltava termos de levar uma cruzinha, isto no século XXI das liberdades e garantias”, acrescentou Paulo Fernandes.

De acordo com os dados transmitidos aos autarcas, este balcão, que tem apenas dois funcionários, representa mais de 30 milhões de euros em depósitos e cinco milhões em empréstimos.

“Ou seja, aqui a CGD é lucrativa, mas é para fechar. Isto não pode ser. Por isso temos de nos unir”, sublinhou a presidente da Junta de Freguesia de Silvares, Carina Baptista.

Presente no protesto, a presidente da Junta de Freguesia de Aldeia de São Francisco, concelho da Covilhã, Joana Campos, lembrou que o encerramento também “penaliza largamente” toda a população do couto mineiro, tendo por isso garantido que aquela zona vai manter-se na luta.

A única solução que a população aceita é o da manutenção desta agência; caso contrário, há quem prometa deixar de trabalhar com o banco público.

“Isto não tem jeito nenhum e se não recuarem, mudo o meu dinheiro para a Caixa de Crédito Agrícola e nunca mais vou à CGD”, afirmou, Joaquim Pires, 81 anos.

Elvira Gomes, 85 anos, também não esconde a revolta com uma decisão que a deixa sem saber o que fazer na hora em que precisar de levantar a reforma.

“Eu nunca conduzi e o meu marido tem problemas cardíacos e mal pode andar. Por isso, não podemos ir ao Fundão, como é que vamos fazer? Isto assim está muito mal”, referiu.

Emigrante na Suíça durante 24 anos, Maria Nunes, 57 anos, regressou recentemente à terra natal e não deixa de lhe parecer “irónico” que tal coincida com o momento em que a CGD se prepara para fazer o contrário.

“Estão a contribuir para desertificar o interior, mas por opção própria. Isto não se compreende e certamente que se [este balcão] fechar eu também vou encerrar a minha conta na CGD”, apontou.

Catarina Canotilho