InícioSociedadeOleiros indignado com aumento no preço da recolha de lixo

Oleiros indignado com aumento no preço da recolha de lixo

O presidente da Câmara de Oleiros, Fernando Marques Jorge, disse hoje estar indignado com a empresa Valnor, que acusou de aumentar em 100% os valores para a recolha dos resíduos sólidos para os municípios do interior.

“A Valnor quer aumentar em 100% o preço da recolha dos resíduos sólidos Em Lisboa e no litoral pagam 11 euros por tonelada e nós [interior] já pagamos 33 euros por tonelada em números redondos. Agora, querem passar a cobrar 61 euros por tonelada”, explicou à agência Lusa o presidente deste município do distrito de Castelo Branco.

A Valnor é uma empresa concessionária da EGF – Empresa Geral do Fomento, SA, responsável pela recolha, triagem, valorização e tratamento de resíduos sólidos nos 25 municípios da sua área de influência.

Os municípios em causa são Abrantes, Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo Branco, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Idanha-a-Nova, Mação, Marvão, Monforte, Nisa, Oleiros, Ponte de Sôr, Portalegre, Proença-a-Nova, Sardoal, Sertã, Sousel, Vila de Rei e Vila Velha de Ródão.

“Eu já disse que vou devolver a fatura. Não vou pagar isto. Vai-se marcar uma reunião para a próxima segunda-feira, em Ponte de Sôr, para que os autarcas do Alto Alentejo e das Beiras possam tomar uma posição coletiva sobre isto, porque é uma injustiça”, disse.

O autarca adiantou que a justificação que lhe foi dada para esta alteração dos tarifários está relacionada com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), responsável pela fixação das tarifas para entidades gestoras de serviços de resíduos urbanos.

Fernando Marques Jorge apelida de “anedótica” a justificação de que a Valnor vai ter um prejuízo de um milhão de euros porque deixou de poder colocar determinado tipo de resíduos em reciclagem que lhe davam essa rentabilidade.

Além disso, sublinha que um segundo argumento que lhe foi transmitido diz respeito à alteração do tempo para a amortização dos equipamentos e das instalações da empresa que, disse, estava previsto decorrer até 2035.

“Agora decidiram fazer a amortização até 2019, ou seja, retiraram 16 anos de tempo de amortização dos equipamentos e instalações. Isto vai ter um custo adicional fiscal para a empresa. Quem é que paga? Os contribuintes e as pessoas do interior. Isto é uma imoralidade imensa”, frisou.

O diretor geral da Valnor, Sérgio Bastos, respondeu por escrito à agência Lusa e disse reconhecer que o aumento da tarifa é elevado, mas esclareceu que este não é determinado pela empresa e resulta da aplicação, por parte do regulador, das regras definidas no Regulamento Tarifário de Resíduos (RTR) e aplicáveis a este tipo de empresas.

“No caso particular da Valnor, este aumento decorre fundamentalmente de dois fatores: alteração da metodologia das amortizações e redução significativa das receitas de venda de recicláveis recuperados dos resíduos indiferenciados, uma vez que a Sociedade Ponto Verde (SPV), em março do ano passado, deixou de remunerar esses materiais”, sustenta.

A empresa explica ainda que a tarifa fixada para o ano de 2017 é de 57,48 euros/tonelada, à qual, de acordo com o RTR, se adiciona 31,20 euros/tonelada relativa ao valor da tarifa não cobrada no ano de 2016.