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Na Covilhã não há domingo sem arroz à valenciana

No centro do Canhoso ao domingo, por volta do meio-dia, inúmeras pessoas na rua, com sacos na mão, circulam de um lado para o outro, numa azáfama estranha. Mas a explicação é simples. As pessoas cumprem uma tradição com mais de 50 anos, que é ir ao restaurante buscar uma ou mais doses de arroz à valenciana, certamente o prato que os covilhanenses mais consomem ao fim de semana.

O “Tomás” é, possivelmente, o restaurante do concelho que mais arroz vende. Ali, o ritmo é frenético a partir das 11 e 30 da manhã, quando começam a chegar os primeiros clientes. Trazem o próprio tacho num saco e põem-no em cima do balcão. Em poucos minutos a fila de sacos ocupa vários metros. Na cozinha, o chefe João Pereira vai enchendo os tachos, consoante as doses solicitadas. Com a quantidade certa de arroz, falta apenas juntar a guarnição colorida, com destaque para o verde das ervilhas ou vermelho vivo dos pimentos.

Adriana Almeida, a proprietária da casa, chama em voz alta o dono do tacho, recebe o pagamento e… próximo. Os gestos estão mecanizados, numa logística perfeita, afinada durante décadas. “O meu pai criou esta casa e eu não me lembro de um único domingo sem arroz à valenciana. Desde pequena que toda a família estava aqui a esta hora para ajudar. As minhas filhas também já vêm dar uma mãozinha. É uma hábito que passa de geração em geração e não vai terminar tão depressa”, explica Adriana, acrescentando que “quase toda a gente gosta, até as crianças, que acham piada à cor amarela do arroz.”

Toda a reportagem na edição impressa do JF.

Filipe Sanches