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Menos alimentos para matar a fome aos que precisam

As necessidades mantêm-se, mas os alimentos são cada vez menos. A campanha de recolha de alimentos realizada este fim de semana pelo Banco Alimentar Contra a Fome registou uma diminuição de donativos relativamente ao ano passado. Na região, a recolha fixou-se nas 38 toneladas, cerca de quatro toneladas a menos do que em igual campanha de 2016. Contas feitas, há menos para quem mais precisa.

Pela balança do Banco Alimentar de Castelo Branco passaram 11,4 toneladas de alimentos, quando no ano passado se tinha chegado às 13 toneladas. Uma quebra superior a uma tonelada e meia, que no caso do Banco Alimentar da Cova da Beira ultrapassa as duas toneladas. Se há um ano os donativos para o Banco Alimentar da Cova da Beira chegaram às 28,8 toneladas este ano não ultrapassaram as 26,6 toneladas.

Uma tendência de redução para a qual terá contribuído o número de eventos que decorreram neste fim de semana e que levou a uma menor afluência de pessoas às superfícies comerciais. Por outro lado, há o crescente número de campanhas levadas a cabo por outras instituições e ainda a ideia de que a crise está ultrapassada e que há menos gente a precisar de ajuda.

“A verdade é que isso não corresponde à verdade. Há efetivamente uma melhoria económica, mas também continua a haver muita gente que ficou para trás e que não encontra soluções”, referiu ao JF Paulo Pinheiro, porta-voz do Banco Alimentar da Cova da Beira, que naturalmente enaltece o apoio de todos quantos deram o seu contributo.

Sem esses, haveria ainda menos para distribuir. E a dureza dos números revela-se claramente na hora de repartir: 26,6 toneladas a dividir pelas cerca de cinco mil pessoas que são apoiadas dá pouco mais do que cinco quilos por pessoa.

Cinco quilos para seis meses! É manifestamente insuficiente. Por isso mesmo o Banco Alimentar da Cova da Beira irá agora intensificar os contactos para ver se consegue outros apoios extra campanha, designadamente junto das empresas locais. O objetivo é conseguir manter a distribuição mensal nas sete toneladas, tarefa que se afigura cada vez mais complicada.

O Banco Alimentar da Cova da Beira apoia cerca de cinco mil pessoas dos concelhos de Belmonte, Covilhã e Fundão, bem como dos concelhos do distrito da Guarda.
No Banco Alimentar de Castelo Branco o apoio chega a 1.200 pessoas e a recolha é feita em Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão.

Catarina Canotilho