InícioSociedadeBeirões emigrados continuam a viajar em carrinhas coletivas

Beirões emigrados continuam a viajar em carrinhas coletivas

Esta sexta-feira, dia 24 de março, cumpre-se um ano depois do trágico acidente em Moulins (França) do qual resultaram 12 mortos. No entanto, a tragédia não mudou os hábitos dos emigrantes, que continuam a utilizar as conhecidas carrinhas de transportes de pessoas.

Quem o afirma é o presidente da Junta de Freguesia de Palhais (Trancoso, Guarda), terra de algumas vítimas, do condutor de 19 anos que sobreviveu e do proprietário da carrinha. “Aquelas pessoas que viajavam de avião, continuam a fazê-lo, são a minoria, e as pessoas da maioria, continuam a viajar em carrinhas. Os hábitos praticamente mantiveram-se”, disse Hélio Martins, à Lusa, desconhecendo se as pessoas têm agora o cuidado de escolher empresas certificadas ou se continuam a dar prioridade a veículos clandestinos, que fazem, naturalmente, preços mais baixos.

Florêncio Almeida, presidente da Associação Nacional dos Transportes Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), refere que “se não houver uma fiscalização rigorosa e severa, não será fácil eliminar este tipo de transporte, porque as pessoas vão atrás de preços baratos e quem pratica os serviços vai à procura de alguma rentabilidade”.

“As pessoas não têm consciência de que, ao viajar em certo tipo de meios de transporte, não têm seguros que cubram uma situação de um eventual acidente rodoviário. Os motoristas fazem horas e horas de serviço e praticam preços muito baixos para o transporte ser rentável, recorrendo ao tempo extra de condução, o que provoca maior insegurança”, frisou o responsável pela ANTRAL, sublinhando que há transportadores ilegais um pouco por todo o lado, mas principalmente nas Beiras.

Entretanto, Emmanuelle Fredon, procuradora da república de Moulins, informa que o condutor e o proprietário da carrinha envolvida no acidente devem ser julgados “até ao final do ano”.

Filipe Sanches