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Segunda vida das termas dá sorrisos a Monfortinho

Na aldeia, que em tempos teve nas termas o seu principal balão de oxigénio, olha-se para a mudança na gestão daquela estrutura como um sinal de esperança. Este inverno o balneário vai manter-se aberto e está em estudo o engarrafamento daquela água mineral. A nova sociedade gestora quer potenciar as termas de Monfortinho para o mercado ibérico

A mudança de gestão do balneário termal de Termas de Monfortinho e a promessa de dinamização daquele equipamento é um sinal de esperança para muitos dos que mantém a atividade económica naquele que já foi um dos mais importantes destinos de férias do interior do país.

Hoje Termas de Monfortinho, principal porta de entrada de muitos dos que se deslocam de carro para Portugal vindos de toda a Europa, é uma aldeia semi deserta. As paredes de alguns edifícios conservam as provas do que já foi: pensão, café, restaurante… Perto do Posto de Turismo, a cargo da Entidade Regional de Turismo do Centro, existem marcas de um posto de combustível frente a um centro comercial vazio.

Termas de Monfortinho enche-se de gente, sobretudo espanhóis, nos meses de verão graças à piscina pública, equipamento ímpar naquela região transfronteiriça, mas no resto do ano tem sido apenas isso: um local de passagem.

Maria do Céu Ferreira gere há 35 anos uma unidade hoteleira na localidade, o Boavista. Não se lembra de um retrocesso tão grande na oferta turística. Uma das razões, aponta, prende-se com a diminuição do período de funcionamento do balneário termal. “Temos clientes frequentes do balneário. Outros passam por Monfortinho ficam cá uma noite. O alargamento dos período de funcionamento do balneário, que tem funcionado na anterior gestão só numa parte da tarde, prejudica muito. O resto do dia, as pessoas que já conhecem a região, fazem o quê?”. Para a empresária, “é importante alargar o funcionamento das termas, fomentar a vinda de mais pessoas, puxar pelo movimento disto”.

Na aldeia, que em tempos teve nas termas o seu principal balão de oxigénio, olha-se para mudança na gestão daquela estrutura como toda a esperança. “Isto tem vindo a melhorar. Por causa das portagens, as pessoas optam por entrar por aqui e fugir a Vilar Fomorso para pagar na A 25. Temos visto estrangeiros que procuram ir para Lisboa ou para o sul, páram, compras umas coisas”, diz-nos Maria João Santos, responsável há 23 anos por uma loja de artesanato nas Termas de Monfortinho, enquanto atende uma utente espanhola que ali está a passar uns dias. “Sou do norte de Espanha, estou com a minha família de Valência de Alcantara que costuma vir às termas. Estou a gostar muito, deste sossego”, responde-nos Toñi Infante.

A atividade comercial saiu prejudicada com o fim do império Espiríto Santo que durante décadas investiu em Monfortinho enquanto destino termal, de natureza e de caça.

O hotel Fonte Santa, contíguo ao balneário, está sob a gestão do Grupo Ô Resorts Hotels. Aqui também se aguardam pelos reflexos frutíferos da nova aposta nas termas. Florência Poças, assistente de direção desta unidade, considera ter sido este verão “dos melhores dos últimos anos”, fruto “da maior promoção turística da Beira Interior”. A taxa de ocupação, adianta, situou-se acima dos 85 por cento.

“De há três anos para cá estamos a perder clientes que vêem para fazer termas. Se as termas fossem dinamizadas, saíria beneficiado não só quem aqui está a operar, do ponto de vista turístico, mas toda a região”, acrescenta.

O novo proprietário do balneário termal de Termas de Monfortinho, em Idanha-a-Nova, está a estudar a possibilidade de engarrafamento da água mineral da Fonte Santa para consumo humano. “Temo-lo planeado com muito cuidado, de modo a que o seu lançamento seja o de uma água com um posicionamento ao nível das suas características ímpares e não apenas uma acção feita só por fazer”, adianta António Trigueiros de Aragão, principal responsável pela Xipu, uma sociedade com sede em Idanha-a-Nova, que adquiriu a Companhia das Águas Fonte Santa, controlada pelo Grupo Espiríto Santo que reduziu atividade na estância balnear para apenas um período durante o ano.

O novo proprietário garante ser objetivo prolongar o período de funcionamento das termas, tendo já decidido que as mesmas se mantêm abertas durante o Inverno.

Capacidade

O balneário tem licença para extração, a partir da nascente Fonte Santa, de 36 metros cúbicos de água por hora, mas a nascente tem capacidade para “trabalhar” muito mais. O diretor do balneário diz que o engarrafamento desta água mineral, que pode ser bebida numa fonte que se situa à entrada da estância, “faz todo o sentido. É uma água leve, não tem sabor, não tem cheiro e para além de ter qualidades terapêuticas como digestivas e respiratórias. Ou seja, o que esta água faz na pele faz também nas mucosas intestinais e respiratórias”, observa Pedro Próspero.

As indicações terapêuticas da água termal de Monfortinho relacionam-se com problemas de pele, articulações e reumatológicos. Pedro Próspero, diretor do balneário, fala na passagem de “mil clientes clássicos para fazer tratamentos em estadias longas e cerca de 1200 clientes que vieram fazer experiência termais”, desde agosto até outubro.

O número de queimados que procuram aquela estrutura “tem aumentado significativamente. Qualquer unidade de queimados está a indicar as Termas de Monfortinho como um complemento ao tratamento”, frisa o gestor que esta decisão “beneficia quer o utente, quer o Estado”. Nesta matéria, Portugal está aquém de outros países na comparticipação a este tipo de tratamento.

Célia Domingues