InícioRegião“Nada será feito na Argemela sem ouvir populações”

“Nada será feito na Argemela sem ouvir populações”

A autorização final para exploração mineira na Argemela (Fundão e Covilhã) caberá ao secretário de Estado da Energia. Em entrevista ao JF, Jorge Seguro Sanches diz, ainda, que há investidores que querem explorar energia solar na região

JORNAL DO FUNDÃO – Quando assumiu o cargo, defendeu uma redução gradual e negociada dos custos na eletricidade. A eletricidade, no seu ponto de vista, está mais barata?
JORGE SEGURO SANCHES – Avançámos com medidas de política energética, das quais destaco estas estas: só estamos a subsidiar renováveis sem subsídios, reduzimos os juros da dívida tarifária, que em 2012 eram superiores a seis por cento e neste momento são de 1, 88 e deixou-se de se atribuir subsídios às centrais que produzem eletricidade. Tudo isto permitiu que este ano o aumento que houve do preço da eletricidade foi única e exclusivamente para pagar a dívida que estava acumulada do ano passado. Mesmo assim, o aumento das tarifas reguladas foi de 1,2 por cento, abaixo da inflação para este ano, o que aconteceu pela primeira vez, nos últimos dez anos, e desde que há mercado liberalizado em Portugal. Há muita coisa que queremos ainda fazer. Queremos implementar uma medida que tem dez anos de anúncio político, que é a criação do operador logístico de mudança de comercializador de energia, onde os consumidores vão poder ver qual o melhor comercializador de eletricidade ou de gás e dessa forma fazer a mudança de comercializador online.

Quando vai estar ferramenta disponível?
Durante este ano. É uma medida que foi introduzida no Orçamento de Estado. É uma plataforma informática e vai ter um serviço de atendimento telefónico. Vai ajudar as populações, sobretudo as que têm menos informação a terem, num único sítio, os preços e as empresas que fazem mais barato e em que condições.

Como se explica a disparidade no preço de gás de botija entre Portugal e Espanha, onde é mais barato?
O setor do gás de garrafa não tem vindo a ser controlado da forma como entendemos ser necessária em Portugal. Pedimos um estudo à Autoridade da Concorrência para avaliar o que temos de fazer. A primeira medida que nos parece que faria sentido era fixar um teto no preço do gás de garrafa, mas teríamos um problema. É que provavelmente chegaríamos a muitas freguesias e não haveria garrafas porque ninguém lá iria vendê-lo. Desde que este Governo está em funções, o gás baixou, para as famílias, em maio do no ano passado, 18 por cento e para as empresas entre 22 a 28 por cento. Mas não estou satisfeito com isso. Começámos o mandato com o gás natural mais caro da Europa para as famílias e o segundo mais caro da Europa para as empresas. Há muito ainda fazer.

Toda a entrevista na edição impressa do JF.

Nuno Francisco e Célia Domingues