InícioPolíticaComissão de Rui Esteves era de três anos mas durou só oito meses

Comissão de Rui Esteves era de três anos mas durou só oito meses

(c) Tiago Petinga/Lusa

A comissão de serviço tinha um período de três anos, mas a verdade é que durou apenas oito meses o “reinado” de Rui Esteves como comandante da Autoridade Nacional de Proteção Civil, depois de anunciado esta quinta-feira o pedido de demissão.

Natural de Idanha-a-Nova, Rui Esteves, que estava em funções desde janeiro, ficou debaixo de fortes pressões nos últimos meses, devido aos incêndios, e sobretudo na última semana, quando foi noticiada a acumulação de funções públicas (manteve até há dias o cargo de diretor de Aeródromo de Castelo Branco) e o facto de ter uma licenciatura em que 32 cadeiras foram feitas por equivalência.

A demissão de Rui Esteves surgiu poucas horas depois de o ministro do Ensino Superior e o presidente do Politécnico de Castelo Branco terem pedido à Inspeção-Geral de Educação e Ciência a abertura de um inquérito à licenciatura na Escola Superior Agrária de Castelo Branco.

Há já algumas reações. A Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais, pela voz do presidente Fernando Curto, considerou que o comandante nacional da Proteção Civil “não tinha condições para continuar no cargo devido ao avolumar de situações”, mas defendeu que devia manter-se no cargo “até que fossem avaliadas e calculadas” todas as situações que estão a ser objeto de análise por várias entidades.

Fernando Curto destacou “a avaliação técnica” e a “mais-valia” de Rui Esteves, enquanto comandante distrital de operações de socorro de Castelo Branco, comandante nacional e “homem ligado aos bombeiros e à operacionalidade em Portugal”.

Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP, diz que a demissão não pode servir para omitir responsabilidades do Governo nos incêndios e admite chamar Rui Esteves ao parlamento.

Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, vê em Rui Esteves “uma pessoa de bem”, que fez “aquilo que lhe competia fazer”, mas ressalva que as situações administrativas que estiveram na origem da sua demissão não podem “apagar o passado de um homem ligado aos bombeiros” que “merecerá sempre” o respeito pessoal e institucional dos bombeiros e que tem “uma folha de serviço respeitável”.