InícioOpiniãoA UBI contra o suicídio coletivo

A UBI contra o suicídio coletivo

José Páscoa

Num interior que se desmorona é reconfortante encontrar motivos de alegria. A Universidade da Beira Interior continua na senda do sucesso. Durante décadas foi construindo a sua reputação e protegendo toda a Beira Interior de uma desertificação crescente. Muitos encaravam o crescimento do prestígio da UBI como mera retórica.

Como é que algo que se situa naquele interior remoto pode ser assim tão bom? A resposta tem chegado nos últimos dois anos de forma brutalmente avassaladora.

Uma primeira vez o jornal inglês Times Higher Education menciona-a no ranking das melhores universidades do mundo. São muitos os incrédulos que alvitram – mera questão de sorte, para o ano já lá não está. E eis que, de novo, em 2017 a UBI se mantém no ranking do Times Higher Education. Neste ranking está ao nível da: Universidade de Salamanca; Universidade da Coruna; Universidade de Brighton; Universidade Carlos III Madrid; Coventry University; University of Greenwich; London Metropolitan University; Manchester Metropolitan University; Miami University; Universidade de Sevilha, Universidade Técnica de Madrid; e da famosa escola de engenharia francesa École Centrale de Lyon.

Sim, leram muito bem, estão todas no mesmo patamar de qualidade da Universidade da Beira Interior.

Uma segunda bofetada de luva branca caiu há dois meses nas mentes depreciativas. A UBI integrou pela primeira vez o ranking das melhores universidades europeias com menos de 50 anos. Nada mau para uma universidade que tem 30 anos e está situada no interior profundo de Portugal. Nada mau para uma universidade que recebe 25 por cento a menos do orçamento de estado do que instituições de dimensão equivalente em Portugal.

Mas, como se aprendia na velha quarta classe, há que fazer a prova real. E aí está ela no Ranking Global de Shanghai, que destaca a UBI também como universidade de qualidade. O ranking de universidades de Shanghai é dos mais exigentes a nível planetário.

A UBI sempre entendeu que teria de correr ao dobro da velocidade, e esse esforço começa a tornar-se cada vez mais visível a nível internacional. Mas, para além dos rankings, o melhor reconhecimento é o projetado pelos seus antigos alunos que estão em posições de relevo a nível nacional e internacional. Em todas as áreas, desde a medicina à gestão, engenharia e cultura, os antigos alunos de UBI ocupam posições chave e de grande responsabilidade. A UBI tem hoje mais de 7000 alunos e assumiu como missão atingir os 10 mil.

Também os seus professores são cada vez mais reconhecidos pela qualidade e competência. É hoje possível caminhar pelos corredores da UBI e encontrar eminentes universitários, especialistas mundiais em física, em economia, em engenharia civil ou eletromecânica. É uma experiência extraordinária poder partilhar uma conversa de almoço, em qualquer dos excelentes bufetes da UBI, com um especialista em cinema, gestão ou medicina. Mas esta é também uma universidade que não se fecha ao mundo, muito pelo contrário, como o demonstram as cerca de 300 universidades e empresas, maioritariamente internacionais, com quem a UBI submeteu projetos de investigação no último ano.

Mas a verdadeira pérola que diferencia a UBI é a qualidade do seu ensino. As turmas são propositadamente mais pequenas de modo a permitem um ensino de proximidade. Quando as universidades europeias assinaram a célebre declaração de Bolonha, para reduzir o efeito da massificação do ensino nas grandes universidades, já a UBI a aplicava há décadas. Na UBI as portas dos laboratórios estão sempre abertas aos estudantes, e a sua biblioteca é um templo do conhecimento aberto as 24 horas durante os sete dias da semana. Foi este ambiente de dedicação ao estudo que cativou os mais de mil estudantes estrangeiros que a frequentam. E são eles que também contribuem para o cosmopolitismo da universidade.

É por estas e muitas outras razões que muitos pais recusam o suicídio coletivo de mandar os seus filhos estudar para fora. Eles bem sabem que a sobrevivência do interior depende dos melhores que cá estão cá ficarem. Mandar os filhos estudar para fora é assinar a carta de suicídio deste território, dos que saem quantos voltarão? E sabemos que os nossos filhos estão bem entregues quando observamos que a UBI está ao nível das universidades de Manchester, Sevilha, ou de Lyon. A felicidade deles está aqui, numa universidade perto de nós. Quanto ao futuro da nossa terra, cabe a cada um de nós defende-lo, em lugar de procurarmos o suicídio promovendo a desertificação.