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21 Set 2011,
15:16h
A romaria da Santa a que nem os políticos resistem
Festa continua a mobilizar milhares de pessoas, transformando o Castelejo no centro da região. Até os políticos por lá costumam passar. Guterres foi um deles, quando era Primeiro- Ministro
OS FOGUETES já estoiram no céu, quando António Vicente Alves começa a subir em direcção ao recinto da Santa Luzia. Ainda tem umas boas centenas de metros para palmilhar até lá acima. Saiu de Vales do Rio, no concelho da Covilhã, às 17 horas e só agora (perto das 23) a “viagem” se aproxima do fim.
Lá vai ele, a pé, de trouxa às costas, aproveitando os faróis dos carros que se dirigem, em fila, para o recinto. Por razões de fé e do coração, há 37 anos que não falha a romaria. Vem sempre a pé, percorrendo a distância entre Vales do Rio e o Castelejo. “Durante alguns anos vinha só no dia da festa, mas desde que a minha filha nasceu (na noite de 14 para 15) comecei a vir de véspera. Levei a minha mulher para o Hospital da Covilhã e eu vim pedir à Santa Luzia para correr tudo bem”.
E correu! A filha nasceu “sã e escorreita” e, vinte e tal anos depois, António Vicente Alves continua a ir passar a noite ao santuário. Carrega às costas o colchão de espuma e dois cobertores para dormir. Os 64 anos começam a pesar-lhe nas pernas, embora estejam habituadas a andar atrás das cabras. Faz o caminho ao ritmo que pode. Desde Vales do Rio até ao Telhado, seguindo para o Freixial e por fim para o Castelejo, aldeia que nos dias 14 e 15 de Setembro se transformava no centro da região. Aldeias e vilas despovoam-se para a festa, embora a Santa Luzia já não seja o que era. Na memória de António Vicente Alves ainda estão “os fados à desgarrada”, em tascas improvisadas, onde se matava a fome, a sede e se cantavam venturas e desventuras. As tascas têm agora mais condições, mas o cardápio continua restrito. Estão agrupadas num espaço criado para o efeito e este ano a afluência não obrigou a grandes esperas. “Dá para trabalhar, sem atropelos”, diziam os que aproveitaram a festa para se dedicarem ao negócio.
A festa continua a atrair milhares de pessoas da região, mas a generalidade desloca-se de carro. Muitos vêm pagar promessas.
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Por:
Lúcia Reis
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