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13 Out 2010,
15:30h
Salvado Sampaio sábado homenageado no Fundão
Fundanense ilustre, professor e cidadão exemplar, Salvado Sampaio, que sábado vai ser lembrado, no Fundão, foi batalhador a tempo inteiro pela democratização do ensino e da cultura em Portugal
JOSÉ Salvado Sampaio, professor de referência e cidadão exemplar, é homenageado sábado, dia 16, a partir das 14 e 30, na Moagem, Cidade do Engenho e das Artes, no Fundão. A iniciativa, da FENPROF, de que Salvado Sampaio foi membro qualificado, integra-se nas comemorações do Dia Mundial do Professor, sob o lema “Os Professores em defesa da Escola Pública”, e tem parceria do “Jornal do Fundão” na produção da exposição “O Homem e o Pedagogo Salvado Sampaio”, que será apresentada na sala de exposições da Moagem. A Câmara Municipal também se associa à homenagem.
A sessão inicia-se às 14 e 30, com um painel moderado por Isaura Reis, em que Mário Nogueira, secretário geral da Fenprof, Carvalho da Silva, secretário geral da CGTP, Fernando Paulouro Neves (director do “Jornal do Fundão”) e o Prof. António Teodoro (docente e investigador da Universidade Lusófona) falarão da figura e da obra do dr. José Salvado Sampaio, na sua dimensão de cidadão e pedagogo.
Seguir-se-á um 2.º painel sobre o tema “A Escola Pública Hoje: constrangimentos e desafios”, com uma conferência pelo Prof. Almerindo Janela Afonso, investigador no Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho, e uma intervenção final de Mário Nogueira, da Fenprof.
O dr. Salvado Sampaio teve, como intelectual, uma intervenção cívica notável, com contributo assinalável no debate sobre questões da Educação e da democratização da Cultura. Era uma das vozes mais autorizadas, autor de larga bibliografia, de consulta obrigatória a quem empreenda estudos sobre o Ensino em Portugal. Basta citar O Ensino Primário 1911-1969 – Contribuição Monográfica, dois volumes publicados em 1976 pelo Centro de Investigação Pedagógica do Instituto Gulbenkian de Ciência ou A Educação em Números, dos livros Horizonte ou A Evolução do Ensino em Portugal (1940/41 e 1966/67) para só citarmos alguns. A sua obra é vastíssima, em revistas como O Professor ou em jornais como o Jornal do Fundão, o Diário de Lisboa, O Século. Foi membro do Conselho Nacional de Educação, onde teve intervenções notáveis sobre questões da actualidade educativa portuguesa. Participou em conferências e debates um pouco por todo o país e gostava de discutir as questões sem unanimismos, com espírito de tolerância. “O que importa – dizia o dr. Salvado Sampaio – é discutir posições, tentar clarificá-las, e subestimar afectos ou repulsas pessoais. A tolerância é um valor superior, bem distanciada e oposta à permissividade e abdicação de princípios”.
Com nome próprio ou pseudónimo, colaborou no “Jornal do Fundão” desde o primeiro número sobre as mais variadas questões da sociedade portuguesa e o Fundão deve-lhe uma atenção prioritária às problemáticas do desenvolvimento, como a criação do ensino público secundário ou da Escola do Magistério, de que foi o principal impulsionador, ou sobre o regadio da Cova da Beira, os problemas da emigração e da demografia, o direito à cultura. Tudo isso faz parte de uma biografia cívica e política de grande coerência e de altíssima qualidade. O Presidente Jorge Sampaio atrbuíu-lhe a Ordem da Liberdade e em poucos a alta distinção assentou tão bem.
Num texto que escreveu quando a Câmara do Fundão lhe atribuiu a Medalha de Prata, deixou um aviso: “Os tempos impõem escolhas e que se esteja preparado pela opção pelo que é conforme à dignidade. Um excelente século XXI implica a participação de todos os cidadãos, de forma persistente, plural, não monolítica”.
Libertar os portugueses dos arcaísmos mentais
O dr. José Salvado Sampaio nasceu no Fundão em 1921 e o seu nome singulariza-o, como cidadão e professor, além de autor com larga intervenção cívica, cultural e política na sociedade portuguesa. Pedagogo de referência nacional, há uma escola com o seu o nome: a Escola Básica do 1.º Ciclo Professor José Salvado Sampaio de Benfica. As questões do desenvolvimento foram sua inquietação fecunda, embora os seus estudos sobre a Educação revelassem sempre um alto grau de especialização, o dr. Salvado Sampaio equacinava sempre as problemáticas em contextos sociais mais amplos, num olhar global sobre a sociedade portuguesa. A sua batalha pela democratização do ensino era inseperável da promoção cultural, como acto libertador essencial. No património de idfeias e de colaboradores do “Jornal do Fundão”, Salvado Sampaio tem lugar relevante.
Fernando Paulouro Neves
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