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19 Mai 2010,
15:05h
Tarda, mas não falha: vêm aí 4 mil toneladas de cereja
JF avança a projecção para a campanha de 2010. Há menos cereja. Fundão tem dois terços dos pomares da Cova da Beira. As plantações de cerejeiras estão a crescer a uma média de 50 hectares por ano. Há dois mil hectares em produção
A METEOROLOGIA volta a condicionar a produção de cereja na Cova da Beira. A região líder na produção nacional vai ter quebras de 20 por cento em relação a 2009. Dos pomares deverão sair, este ano, quatro mil toneladas de cereja para o mercado nacional e internacionais.
O frio e a chuva interferiram decisivamente no desenvolvimento do fruto, o que ditará o abaixamento da produção das seis mil para as quatro mil toneladas. Nesta semana, os primeiros frutos começaram timidamente a entrar no circuito comercial, sendo que a velocidade de cruzeiro em termos de produção só será alcançada no decorrer das próximas semanas, com o pico a ocorrer em meados do mês de Junho. Se as condições meteorológicas não voltarem a baralhar as contas, o decréscimo da produção de cereja na Cova da Beira deverá estacionar nas duas mil toneladas em relação ao ano passado.
Filipe Costa, engenheiro agrícola, técnico da Cerfundão, e investigador com trabalhos de campo na fileira da cereja, avançou ao JF que “já no ano passado se tinha registado uma pequena descida das quantidades das variedades tardias, especialmente da De Saco, que é a qualidade mais representativa na nossa região. Este ano, por causa da chuva que ocorreu em Abril, que apanhou o período de floração das variedades intermédias, e ainda as flutuações térmicas que se verificaram com picos de calor na altura da floração, bem como ocorrência de geadas na última semana do período de vingamento da De Saco, estamos a prever a queda de cerca de 20 por cento”.
O potencial produtivo da região “em condições normais” é de cerca de seis mil toneladas, com o concelho do Fundão a puxar para si a fatia de leão da produção no contexto da Cova da Beira. Nas próximas semanas o mercado começará a agitar-se com o maior vigor da produção. E neste contexto, os preços são uma incógnita. Ainda não se pode apurar com clareza se o cenário de quebra de duas mil toneladas na produção poderá significar um aumento do preço da cereja. Filipe Costa diz que “Ainda vamos ver... Isso costuma reflectir-se na chamada lei da oferta e da procura. Em anos em que há um decréscimo quantitativo, tempos sempre um acréscimo de valorização. Mas isso vai depender também da capacidade do consumidor final em exercer o poder de compra. Atendendo à crise económica que se tem verificado no nosso país, é sempre uma incógnita, mas é claro que se os produtores apostarem na qualidade, a compensação em termos de preço ir-se-á reflectir”.
Na campanha de 2009, o preço de cereja ao consumidor final teve um preço médio “entre os dois euros e os 2,20 euros”. Este ano é previsível, apesar de tudo que haja um acréscimo nesse valor até porque a outra região do país onde se produz cereja – Resende – “do feed-back que tenho tido por parte de algumas organizações é que também têm um decréscimo quantitativo. São reduções muito semelhantes às da Cova da Beira, até porque “as condições climáticas que se verificaram na floração das cerejeiras foram sentidas a nível nacional”.
A primeira cereja a chegar ao consumidor será, essencialmente, a Burlat. As qualidades mais precoces, diz Filipe Costa “até foram as menos afectadas, porque o período de floração destas variedades fugiu um pouco das chuvas, de maneira que em termos quantitativos estamos a falar de um ano regular de produção para as variedades precoces”. As principais quebras na produção estão, sim, centradas “nas variedades intermédias entre a Burlat e a De Saco. Aí temos quebras bastante significativas”, com a agravante de a cereja De Saco “ser muito significativa. Estamos a falar de quase 50 por cento do volume de cereja produzido na região”.
O potencial produtivo da região está em expansão. Anualmente, a área plantada tem um acréscimo médio “de 50 hectares”. Pomares que “efectuando as operações de cultura de uma forma escalonada e de uma forma modernizada estamos a falar de uma entrada em produção ao fim de quatro anos, e em plena produção ao fim do quinto ou sexto ano”. São pomares que se juntam aos actuais dois mil hectares de pomares de cereja na Cova da Beira, quase dois terços deles localizados no concelho do Fundão.
Todo o artigo na edição semanal.
Por:
Nuno Francisco
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