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IPG investiga o lítio explorado na vila de Gonçalo

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) anunciou hoje que vai desenvolver, até novembro de 2018, um projeto de investigação sobre o lítio explorado na área da freguesia de Gonçalo, no concelho da Guarda.

O projeto, denominado “A geologia como base da qualidade de vida – A sustentabilidade do Lítio”, é financiado pelo Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica (SAICT).

“O investimento concedido é de cerca de 150.000 euros, sendo um projeto pioneiro por se pretender juntar a mais-valia da existência de recursos geológicos únicos (Portugal é o único país europeu com produção de concentrados de lítio e o sétimo a nível mundial), com a potencialidade de atividades de geoturismo numa região estigmatizada pelas repercussões que, no passado, as atividades do setor extrativo produziram”, disse hoje à agência Lusa a professora do IPG, Ana Antão, responsável pelo projeto.

Segundo Ana Antão, um dos objetivos do estudo é também permitir que as populações locais “possam conhecer os atributos dos seus recursos hídricos e do ar que respiram, pretendendo-se assim trazer a comunidade local para o seu território, maximizando um produto único e de atual relevância nas chamadas soluções tecnológicas limpas”.

O estudo visa aprofundar o conhecimento sobre as jazidas de lítio e minérios a ele associados, que ocorrem na formação geológica sedimentar do Vale da Gaia, na freguesia de Gonçalo, Guarda.

“Com efeito, o recurso ao lítio como fonte de combustível limpa, barata, abundante, reciclável e reutilizável deve merecer um estudo técnico-científico aprofundado da área onde se insere a mina C-57, propriedade da empresa copromotora deste projeto”, assinala o IPG em nota enviada à Lusa.

A fonte refere que o trabalho a realizar “irá determinar na zona um novo conjunto de valências em termos industriais e comerciais, que irão contribuir positivamente para valorizar a região”.

A implementação de visitas para os alunos das escolas e de outras instituições e a estruturação de produtos turísticos diferenciados, tais como o turismo de percursos e o turismo de experiências, são pretensões do projeto.

Os promotores tencionam também permitir que as populações locais “possam conhecer os atributos dos seus recursos hídricos e do ar e assim colmatar a inexistência de dados que muitas vezes se traduz numa ignorância que pode ser muito prejudicial em termos de saúde pública”.

O plano de trabalhos envolve várias fases, como a realização de levantamentos topográficos e cadastrais para a modelação 3D do terreno e do campo em estudo, bem como estudos de impacte ambiental relativamente aos recursos hídricos com a monitorização de águas e poeiras, segundo Ana Antão.

A criação de percursos temáticos ligados à geologia, à atividade mineira, religiosa e cultural, bem como a conceção de um museu a céu aberto na zona em estudo, são outras das etapas do projeto de investigação.

O projeto do IPG sobre o lítio é realizado com a colaboração dos Institutos Politécnicos de Tomar e de Castelo Branco, e envolve uma associação socioprofissional e uma empresa do setor.