InícioFundãoQuercus acusa Misericórdia do Fundão de destruir ninhos de cegonha

Quercus acusa Misericórdia do Fundão de destruir ninhos de cegonha

A associação ambientalista Quercus apresentou esta quinta-feira uma denúncia às autoridades contra a Santa Casa da Misericórdia do Fundão (SCMF) por crimes ambientais relacionados com o alegado abate de carvalhos onde havia de ninhos de cegonha branca, espécie protegida.

“Esperamos que sejam apuradas responsabilidades porque a nossa leitura é houve aqui várias violações à lei, [especificamente] ao decreto-lei 140, que protege estas espécies e estes habitats”, sublinhou Samuel Infante, dirigente da Quercus que esteve, juntamente com o Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR, na quinta onde o abate ocorreu e que é propriedade da SCMF.

A SCMF garantiu que o abate das árvores foi feito de acordo com a lei e seguindo as orientações do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, dadas após uma deslocação dos técnicos ao local.

A SCMF explicou à Lusa que “a limpeza e abate de carvalhos” visou prevenir o risco de incêndios e que os trabalhos foram realizados entre o final de 2016 e início de 2017, “respeitando o período de nidificação”.

Por outro lado, o dirigente da Quercus referiu que o abate terá ocorrido há cerca de um mês, em “plena época de reprodução”, salientando que “esta não é a primeira vez que a SCMF procede à desflorestação daquela área”.

Samuel Infante vincou igualmente que estão em causa vários crimes, tais como o crime ambiental, o crime de destruição de habitats protegidos e o de perturbação da época reprodutora.

Segundo referiu, o “impacto direto” causado por esta ação “é evidente”, sendo que a situação será ainda “mais grave” porque, para a Quercus, há indícios de que os ninhos terão sido enterrados.

“O que nos parece ser uma situação ainda mais grave, que está ainda a ser investigada, é se houve ou não enterramento de ninhos de cegonha. Ao que parece, há alguns indícios de que estariam a enterrar ninhos, portanto não seria um ato negligente, mas com dolo, o que se reveste ainda de maior gravidade”, apontou.