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Fundão com projeto inédito na saúde cognitiva

(c) RaioX.pt

O município do Fundão vai receber um projeto-piloto que utiliza em simultâneo duas ferramentas na área da saúde cognitiva, projeto que envolve, pelo menos, mil pessoas do concelho, durante um ano.

“Este é o ponto de partida para uma colaboração em que o município do Fundão é o primeiro a nível do país a acolher os dois projetos em simultâneo [‘Cogweb’ e ‘Brain on Track’] na área da saúde cognitiva”, explicou esta quarta-feira o neurologista e investigador Vítor Tedim Cruz.

Este responsável falava em Silvares, no concelho do Fundão, durante a apresentação pública do ‘Cogweb’ e do ‘Brain on Track’, dois projetos na área da saúde cognitiva, baseados em ferramentas e sistemas ‘online’.

O ‘Cogweb’ disponibiliza um conjunto de exercícios desenvolvidos para o treino intensivo de diversas funções cognitivas e foi desenhado para poder ser usado em diversas patologias e em pessoas de várias idades. É destinado a doentes com alterações cognitivas.

Já o ‘Brain on Track’ é uma ferramenta dirigida à população em geral, saudável. Trata-se de um sistema de monitorização cognitiva que consiste na realização regular de um conjunto de testes, através da internet, que permitem a identificação atempada de alterações ao nível cognitivo, possibilitando, em caso de deteção de doença, o encaminhamento para uma consulta especializada.

Vítor Tedim Cruz sublinhou que, atualmente, por cada mil habitantes, 30 apresentam problemas cognitivos anualmente. As razões para este fenómeno são variáveis e vão desde a doença neurológica ao acidente vascular cerebral (AVC), esclerose múltipla, depressão grave, demência vascular, doença de Parkinson, entre outros fatores.

“Quando se pensa à escala de um município, estes problemas afetam a cidadania. Todas as alterações cognitivas têm um impacto global, desde familiar, profissional ou ao nível da saúde”, frisou.

O neurologista sublinha que a saúde cognitiva determina a qualidade de vida, o impacto funcional, a realização pessoal e a própria manutenção do emprego do indivíduo.

O objetivo do projeto no município do Fundão passa por monitorizar durante um ano mil cidadãos adultos saudáveis, ou seja, sem qualquer demência após o rastreio cognitivo, com capacidade para usar um computador sem ajuda externa e ter acesso à internet.

Num primeiro momento é feito o registo e um primeiro teste, seguindo-se outro teste passado uma semana. Posteriormente, de três em três meses, a pessoa é submetida a novo teste. Isto em relação ao sistema ‘Brain on Track’.

O ‘Cogweb’ vai ser testado inicialmente no Centro Comunitário das Lameiras, em Silvares, que tem as valências de lar e de centro de dia, sendo que os técnicos vão a partir de hoje receber formação sobre o sistema.

O presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, realçou a importância deste projeto e da educação para a saúde: “É uma questão que todos falamos, mas também é importante que os municípios, com as forças vivas, se envolvam nesse esforço”.

O autarca quer criar uma estrutura de acompanhamento do projeto que envolva também a Universidade da Beira Interior (UBI) e o Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB).

“A questão da saúde mental tem que ser levado muito a sério e é preciso dar o exemplo. O objetivo passa também por mobilizar a comunidade nas diferentes tipologias para ter uma estratificação da amostra e ter toda a população representada no projeto”, disse.