InícioEconomiaExportações “valem” 391 milhões à Beira Interior

Exportações “valem” 391 milhões à Beira Interior

Durante o ano de 2015, as empresas do distrito de Castelo Branco exportaram mais de 391 milhões de euros. Os dados foram recentemente divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e permitem concluir que no período 2013-2015, o distrito seguiu a tendência nacional de crescimento, mas ficou-se por uma variação positiva de apenas 3,5 por cento enquanto que a nível nacional o crescimento neste período rondou os 5,3 por cento.
Olhando para os valores absolutos verifica-se que o saldo positivo é superior a 12,7 milhões de euros, já que em 2013 as exportações pouco passavam dos 378,3 milhões de euros, valor que passou para os 391 milhões de euros em 2015. A estatística revela ainda que o ano de 2014 foi aquele em que o crescimento foi maior, tendo-se chegado aos 392,5 milhões de euros. Em 2015, houve então uma perda de cerca de 1,5 milhões de euros, mas que, todavia, não comprometeu o saldo positivo bianual, que é usado como referência a nível nacional.
Em termos locais, a Covilhã e Vila Velha de Ródão continuam a a liderar a tabela das exportações com valores acima dos 163 e 108 milhões de euros, respetivamente. Já Vila de Rei e Idanha-a-Nova são os concelhos que menos conseguem vender para outros países.
Com mais de 69 por cento de aumento, Penamacor foi o concelho em que se registou o maior crescimento. Passou de 1,3 milhões para mais de 2,3 milhões. Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã, Vila Velha de Ródão e Vila de Rei também acompanharam a tendência positiva, mas com variações percentuais mais modestas. Já Belmonte, Castelo Branco, Covilhã, Fundão e Idanha-a-Nova registaram perdas.
Em Belmonte, no ano de 2013 as exportações chegaram aos 22 milhões e aumentaram para os 24,5 milhões em 2014, mas caíram para os 21 milhões em 2015. A variação a dois anos aponta uma perda de 4,6 por cento e análise detalhada indica que os têxteis são os grandes responsáveis pelas vendas para outros países. Dos 21 milhões de euros 20,5 milhões são exatamente nessa componente. Neste concelho, destaque ainda para o setor da pasta de madeira e fibras celulósicas, que exportou mais de 62 mil euros.
Em Castelo Branco, as perdas rondam os 22,7 por cento, tendo-se passado dos 47,669 milhões para os 36,871 milhões de euros. Em termos setoriais, verifica-se que a liderar a venda para o estrangeiro estão as máquinas e aparelhos elétricos com 15,3 milhões. Seguem-se os têxteis com nove milhões e os instrumentos e aparelhos de ótica, fotografia ou cinematografia e controlo ou precisão com cerca de cinco milhões de euros em vendas para o estrangeiro.

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Apesar de uma perda de cerca de 1,4 por cento, a Covilhã mantém-se como líder absoluta das exportações no distrito. No total, em 2015 exportou bens e serviços no valor global de 163,7 milhões de euros. Só em têxteis foram mais de 88,6 milhões. Todavia, a estatística mostra que este concelho atinge valores significativos noutras áreas, como o setor dos produtos de indústria alimentar e das bebidas onde as exportações chegaram aos 49,8 milhões. Referência ainda para os produtos minerais, cuja exportação chegou aos 11,4 milhões, isto num ano em que, como o JF noticiou, as Minas da Panasqueira viveram tempos de enorme dificuldade.
Passando ao Fundão, verifica-se que o decréscimo é de cerca de 8,6 por cento, ou seja, passou-se de 20,1 milhões de euros em 2013 para 18,4 milhões de euros em 2015. Deste, uma boa parte diz respeito ao denominado cluster dos polimentos, já que o setor dos instrumentos e aparelhos óticos e de precisão ultrapassam uma venda externa de 5,4 milhões de euros, aos quais se juntam ainda 2,2 milhões de euros em metais comuns e quase 200 mil euros em metais preciosos. De referir ainda que a comercialização de produtos das indústrias alimentares e bebidas (o agroalimentar) também atinge um valor global bastante interessante, isto é mais de quatro milhões de euros.
Em contrapartida, Idanha-a-Nova pouco vende para o estrangeiro e também registou a maior queda de todo o distrito. Passou dos 36.105 euros registado em 2013 para os 11.353 euros de 2015, o que representa um decréscimo de 68,6 pontos percentuais. A totalidade destas vendas diz respeito à área da indústria alimentar e bebidas.
Do lado das variações positivas, Penamacor destaca-se. Passou de 1,3 milhões para 2,3 milhões de euros e conseguiu ficar entre os municípios que cresceram mais de 50 por cento, no caso o aumento foi mesmo de 69,2 por cento. De acordo com os dados do INE, os produtos do reino vegetal com mais de 1,8 milhões de euros é o principal responsável das vendas deste concelho para o estrangeiro, que também regista atividade no setor dos produtos do reino animal, das gorduras e óleos animais e vegetais e dos produtos alimentares.
Vila Velha de Ródão é outro dos municípios que mais se evidencia e pelas melhores razões. É o segundo concelho do distrito com mais exportações e, além disso, estado estado sempre a crescer a nível das vendas para o estrangeiro. Já passou dos 88 ,6 milhões (2013) para os 108,8 milhões. Num concelho tão pequeno, o segredo do sucesso, já se sabe, é o setor da pasta de madeira (papel), que atingiu exportações superiores a 104,5 milhões.
No concelho de Oleiros também houve um aumento, mas mais modesto. Ficou-se por 1,4 por cento a mais, passando de 14,7 milhões em 2013 para os 14,9 milhões de euros registados em 2015. A maioria destas vendas (14,6 milhões) diz respeito à indústria da madeira.
Uma tendência setorial que se mantém no concelho vizinho da Sertã que cresceu 42,6%, passando de 16 milhões para os 22,9 milhões de euros. Destes 21,4 milhões também estão relacionados com o setor da Madeira.
Ao lado, em Proença-a-Nova, os valores são mais modestos mas a madeira com mais de 442 mil euros é o setor que mais exporta, seguindo-se os produtos das indústrias químicas com 230 mil euros. Valores que integram um pacote global que passou de 1,3 milhões em 2013 para 1,7 milhões em 2015.
Positivos, ainda que à dimensão, são também os resultados de Vila de Rei, onde as exportações cresceram 8,8 por cento. Passou-se de apenas 13.988 euros para 15.214 euros. A maioria das vendas( mais de 12 mil euros) registou-se no setor das obras de pedra, gesso, cimento e cerâmica.

Catarina Canotilho